Material escolar está até 74% mais caro neste ano

Gastos com filhos na escola superam valores pagos pelo IPVA e IPTU

iG Minas Gerais | Angélica Diniz |

Perdidos. 
Pais reclamam dos preços do material escolar
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Perdidos. Pais reclamam dos preços do material escolar

Pesquisa divulgada nesta segunda pelo site Mercado Mineiro comprovou o que vêm sentindo nas ruas os pais de filhos em idade escolar. Alguns itens da lista de material escolar dispararam em janeiro deste ano, chegando a um aumento de 74,07% em comparação ao mesmo período de 2014. Com esse cenário, o material escolar tornou-se o novo vilão do orçamento familiar do início do ano, que incluiu ainda o IPVA, IPTU, férias e cartão de crédito das compras de Natal.  

Alguns produtos apresentaram aumento bem acentuado, como ocorreu com o lápis de cor inteiro, com 12 cores, que aumentou 74,07%, passando de R$ 3,78 em janeiro de 2014 para R$ 6,58 neste ano. A pasta aba-elástico (PP 40mm) aumentou 64,11%, de R$ 3,26 para R$5,35, em média, no mesmo período.

O peso do material escolar afetou diretamente o orçamento da bancária Valéria Regina de Melo Gomes, 50, que estima gastar este ano R$ 2.500 com a filha Maria Clara, de 11 anos. “Os preços estão assustadores. Cada livro, que no ano passado estava na faixa de R$ 120, já supera os R$ 150. Pagarei bem mais caro do que pelo IPVA do carro, que será R$ 2.100”, afirmou a consumidora.

Segundo o diretor executivo do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, uma das explicações é a alta do dólar em relação ao real. “Outros aumentos, neste início de ano, são em função da formação de preços de varias lojas. Eles recebem os produtos com preços mais altos da indústria e repassam sua margem para ver se o consumidor aceita”.

O impacto é ainda maior para quem tem dois ou mais filhos, como a técnica em enfermagem Roberta Mayrink, 38. Com um casal de filhos, Pedro Henrique e Ester, o valor gasto superou e muito o dos impostos. “É um aumento exorbitante, mas a educação dos filhos é prioridade”, acredita ela. Já Ivone Michalick, 72, levou duas netas, dos 10 que possui, para as compras escolares. “Imagine uma família como a minha? O gasto é muito alto”.

Outro dado que assusta é em relação à variação dos preços dos produtos. Alguns itens chegam a ter uma diferença de 711% entre as lojas. Para aliviar o bolso, a solução é pesquisar, segundo alertou Feliciano Abreu. Além de investir em livros usados para baratear o custo, a administradora de empresas Claudir Barbosa, 48, destaca que o jeito é comprar em vários lugares. “Estou comprando um item em cada lugar para amenizar os altos preços. O jeito é pesquisar”.

Tributos representam 47% A tributação excessiva também explica a alta nos preços dos materiais escolares. Segundo divulgou o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), esses artigos são taxados em até 47%. Para solucionar o problema, a Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (Abfiae) cobra do governo federal a aprovação de projetos que tramitam há mais de cinco anos na Câmara Federal e que poderiam reduzir ou eliminar os impostos sobre o material escolar. São eles: Projeto de Lei 6705/2009 e PEC 24/2014, que estabelece o fim dos impostos sobre materiais.

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