Computação em todo lugar

Na nuvem, no celular, controlando batimentos cardíacos: tecnologias que vão se popularizar

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

A onipresença da computação é a grande tendência tecnológica de 2015. Os nove demais itens que irão mobilizar o setor no próximo ano, apontados pela empresa de consultoria Gartner, se somam ao primeiro para permitir que ele se consolide. Essa é a visão do gerente de projetos e especialista em TI na IBM, Daniel Gomes. “A lista está coerente com o posicionamento estratégico das grandes empresas de TI ao redor do mundo, como a IBM, Apple e Microsoft. As tendências elencadas pela Gartner são complementares, ou mesmo simbióticas, e talvez nem façam muito sentido umas sem as outras. O que é bom, pois mostra uma estratégia alinhada entre a sociedade e as empresas de TI”, analisa.  

Um exemplo citado por Gomes é a computação onipresente e a internet das coisas. “É impossível separar uma da outra. A computação onipresente precisa da internet das coisas para fazer sentido ou ter uso prático. Ambas precisam da nuvem. E a nuvem precisa de TI escalável”, explica o gerente de projetos.

Sobre a internet das coisas, houve, segundo Gomes, uma mudança de paradigma. “Graças aos tablets e smartphones, nem faz mais sentido ter uma interface gráfica acoplada à sua geladeira, mas sim uma interface para que ela converse com seu celular ou tablet. Esta foi uma mudança de paradigma”, afirma Gomes.

Dentro deste caminho, a IBM está investindo em um modelo de CAMS (Cloud, Analytics, Mobile e Social), no desenvolvimento de aplicativos para o mercado corporativo – em parceria com a Apple , e no supercomputador Watson, que simula o aprendizado humano. “Estes algoritmos cognitivos permitem elaborar percepções através de processos analíticos, e processar quantidades imensas de dados. O mais legal é que o módulo de análises deste supercomputador está a disposição via Internet, gratuitamente. Estudantes podem alimentá-lo com dados e buscar pelas percepções deste cérebro artificial. Assim como donos de pequenas empresas. O dinheiro pode estar aí”, diz.

Sobre a tecnologia 3D, Daniel Gomes destaca a sua aplicação com foco em medicina e reconstrução facial. Porém alerta que “ter uma impressora e operá-la ainda não é para leigos. Há muito caminho para a tecnologia se tornar popular, ou mesmo útil. Os materiais disponíveis, PLA e ABS, são plásticos que podem não atender necessidades de rigidez, relisiência e resistência e assim não despertar o interesse das massas”, opina.

As “health bands”, pulseiras que armazenam dados sobre a saúde do usuário, são uma aposta de Gomes de produtos dependentes da internet que vão se popularizar. “As pulseiras coletam dados sobre qualidade do sono, atividades físicas, calorias, frequência cardíaca e integram tudo isto com seu celular, guardando um histórico de dados sobre sua saúde e oferecendo a possibilidade de integrar e compartilhar estes dados. Um produto que pode acabar com o relógio de pulso como o conhecemos”.

Todas estas novidades, porém, precisam da nuvem tanto para compartilhar dados e serviços como para armanezá-los e analisá-los. “É uma evolução daquela arquitetura cliente-servidor dos anos 1990, encapsula uma série de avanços e requisitos para um serviço seguro, resiliente, ininterrupto, escalável. Para ser escalável, precisa crescer, de forma rápida, consistente, segura e barata, seja por razões de custo ou por demanda inesperada”, conclui Gomes.

Não é de hoje

Evolução. Certas tecnologias estão em desenvolvimento desde a década de 90, diz Daniel Gomes. Entre elas estão miniaturização, capacidade das baterias, eficiência e densidade de transistores.

Google glass não emplacou Para os especialistas da área de Tecnologia da Informação (TI), o Google glass foi um dos grandes fiascos de 2014. Isso porque os equipamentos que podem ser utilizados para conexão a internet ainda precisam se desenvolver e chegar ao gosto do público geral. No final de 2013, o Google glass aparecia como a grande promessa de próximo ano. Porém, até mesmo Sergey Brin, um dos fundadores do Google, que era visto utilizando o acessório constantemente, tem feito aparições públicas sem o óculos high tech.

Relógio não substituiu celular No ano de 2014, os chamados smartwatch, ou relógios inteligentes, que prometiam substituir os celulares, ou pelo menos abalar a onipresença dos smartphones, não alcançaram seus intentos. Para alguns analistas, os smartwatchs têm problemas como software e baterias. Para outros, entretanto, os lançamentos que foram realizados no segundo semestre de 2014, mostraram que as próximas versões poderão trazer novidades interessantes para o wearable (equipamento com várias funções que consegue se conectar à internet).

Twitter music sem fôlego Um fracasso de 2014 nas redes sociais foi o lançamento do Twitter music, que contou com muita propaganda e apoio de músicos famosos. O aplicativo do Twitter já estava descontinuado no segundo semestre do ano muito por falta de interesse do público. Além disso, o aplicativo apresentou problemas de execução que não conseguiram ser resolvidos. Para os especialistas em TI, os vídeos nas redes sociais também foram considerados decepcionantes, já que poderiam ter avançado muito mais no ano. O Vine foi uma destas decepções.

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