França põe mais 10 mil nas ruas

Quase metade dos militares franceses será designada para proteger escolas judaicas no país

iG Minas Gerais |

Prevenção. Policiamento será ampliado em locais mais visados em todo o país
MARTIN BUREAU/afp photo
Prevenção. Policiamento será ampliado em locais mais visados em todo o país

Paris, França. O governo da França ordenou nesta segunda o envio de 10 mil soldados para as ruas do país com o objetivo de proteger locais sensíveis, após três dias de ataques terroristas na semana passada. A polícia francesa continua a procurar cúmplices das ações, que mataram 17 pessoas, além de três terroristas.  

O primeiro-ministro Manuel Valls disse que as buscas são urgentes porque “a ameaça ainda está presente” após os ataques que tiveram início na quarta-feira passada com o massacre no jornal satírico “Charlie Hebdo” e chegaram ao fim na sexta-feira, quando três terroristas foram mortos em ações quase simultâneas.

O ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, disse que 4.700 integrantes das forças de segurança serão designados para proteger as 717 escolas judaicas da França.

Cúmplice. No último domingo, foi divulgado um vídeo de Amedy Coulibaly, terrorista que matou quatro pessoas em um mercado de produtos judaicos na última sexta-feira, explicando como os ataques aconteceriam. A polícia quer encontrar a pessoa que gravou e postou as imagens na internet. O vídeo foi editado depois do fim dos ataques.

“Os trabalhos a respeito desses ataques, sobre esses atos terroristas e bárbaros, continuam. Porque achamos que há muito provavelmente a possibilidade da existência de cúmplices”, declarou Valls à emissora de televisão BFM.

IMAGENS. A mulher de Coulibaly, Hayat Boumeddiene, é vista em imagens de segurança que mostram sua chegada ao aeroporto Sabiha Gokcen, em Istambul, no dia 2 de janeiro. As imagens foram divulgadas nesta segunda pela rede turca de televisão Haberturk.

A Inteligência turca teria acompanhado os passos de Boumeddiene desde que ela chegou ao país. O ministro de Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu, disse que Boumeddiene permaneceu num hotel de Istambul com outra pessoa antes de cruzar a fronteira síria, na quinta-feira, dia 8. Ela e seu acompanhante, um homem de 23 anos, visitaram vários locais de cidade e, no dia 4, se dirigiram para uma cidade na fronteira com a Síria.

O último sinal de seu telefone foi registrado no dia 8 de janeiro, na cidade de Akcakale, onde ela cruzou a fronteira, aparentemente, para o território controlado pelo Estado Islâmico na Síria. As passagens aéreas da dupla, marcadas para 9 de janeiro e que a levariam de volta para Madri, não foram utilizadas.

Potenciais jihadistas Um total de 1.400 franceses ou estrangeiros residentes na França já partiu ou é candidato potencial a viajar para combater ou se formar na jihad na Síria e no Iraque, segundo o governo francês. Os números representam um novo aumento em relação às estimativas fornecidas há algumas semanas pelo governo francês, que mencionava cerca de 1.200 jihadistas ou aspirantes e 60 mortos.

Rússia pede cooperação O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou nesta segunda que os ataques terroristas na França sublinham a necessidade do restabelecimento da cooperação entre Moscou e o Ocidente contra o terrorismo. Segundo Lavrov, a cooperação entre as autoridades russas e do Ocidente, que foi interrompida no ano passado em meio à crise ucraniana, era essencial para o combate ao terror.

Atentado não afeta plano de viajar Os atentados na França afetam pouco o dia a dia dos brasileiros no Brasil. Mesmo assim, 91% deles estão informados sobre os ataques, segundo pesquisa realizada pelo aplicativo PiniOn. Dentre os participantes, 64% declarou que viajaria para a França nos próximos três meses. Dos entrevistados, 82% acreditaram que os ataques poderiam estimular o preconceito contra muçulmanos.

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