Falta de remédio afeta cerca de 30% de usuários de programa

Farmácia de Minas, do governo estadual, sofre com a carência de 20 a 30 medicamentos por mês

iG Minas Gerais | João Paulo Costa |

Dificuldades. Fátima Pereira, 69, não conseguiu pegar o remédio necessário para tratar anemia falciforme
Alex de Jesus
Dificuldades. Fátima Pereira, 69, não conseguiu pegar o remédio necessário para tratar anemia falciforme

Desabastecida, a Farmácia de Minas não tem conseguido atender ao menos 30% das 1.200 pessoas que diariamente tentam retirar, na capital, remédios gratuitos para tratamento de doenças crônicas. A unidade, localizada na avenida do Contorno, no bairro Gutierrez, na região Oeste, também é destinada aos usuários da capital e região metropolitana, mas registra, com frequência, a carência de 20 a 30 medicamentos por mês. A denúncia, apresentada por um funcionário da Farmácia de Minas à reportagem de O TEMPO, veio acompanhada de uma lista de circulação interna, na qual consta a indicação de 27 remédios faltosos nas prateleiras da unidade no último dia 7. Além da indicação da ausência das substâncias, consta no documento não haver previsão de chegada de novas remessas. As drogas não encontradas são destinadas aos pacientes com Alzheimer, Parkinson, epilepsia, artrite reumatoide e esclerose múltipla, dentre outras doenças. “Calculo que quase 30% das pessoas não levam os remédios para a casa. Isso só no meu turno (tarde)”, afirmou o funcionário da unidade, que pediu sigilo de sua identidade temendo represálias. Vivian Aparecida Romualdo, 31, cozinheira e moradora de Contagem, era uma dessas usuárias que não encontraram o remédio prescrito pelo médico quando a reportagem esteve no local, na última quarta-feira. Ela precisava retirar o medicamento interferon para sua mãe, que sofre de esclerose múltipla. No entanto, pela segunda vez em dez dias, voltou para casa de mãos vazias. “É difícil porque ela (mãe) não pode ficar nem um dia sem a medicação, e eu ainda tenho que sair às pressas do trabalho e pegar dois ônibus para ir e dois para voltar” Na mesma fila, Fátima Antônia Pereira, 69, moradora de Betim, também demonstrou insatisfação com o serviço. A paciente sofre de anemia falciforme e não pode deixar de usar as substâncias sacarato hidróxido de ferro e hydrea. “Não consegui (retirá-los na unidade). Se eu não tomo os remédios que o médico indica, fico bamba e cansada. Tenho muitas dores nas costas, fico sempre pálida, sinto náuseas, e meu coração dispara. O remédio serve para controlar isso. O que tenho já está acabando. Vou voltar depois, mas eles disseram que não há previsão de chegada do remédio”, disse. Resposta. Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirmou enfrentar problemas relacionados tanto às questões de aquisição quanto às de logística para entrega de medicamentos que dependem de outras esferas para ser liberados, como, por exemplo, o amantadina. Segundo o texto, o único laboratório fabricante do amantadina está sem o Certificado de Boas Práticas de Fabricação para medicamentos sujeitos a controle especial e, nesse caso, o órgão estadual tentará intervenção junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com o objetivo de regularizar a situação. A SES recorreu ao estoque de outro Estado para conseguir algumas unidades e oferecer aos usuários. O texto afirma que, para os remédios cuja responsabilidade é da própria secretaria estadual, há esforços para garantir o atendimento integral ao cidadão.

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