Extintor é obrigatório, mas motorista no país sabe usá-lo? Se teve multa, vale ir à Justiça

Questionamento é que sem o devido treinamento, item de segurança acaba sendo inválido

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

Desnecessário. Geraldo Amaro defende que os motoristas não sabem utilizar o extintor e, por isso, não adianta o item ser obrigatório
douglas magno
Desnecessário. Geraldo Amaro defende que os motoristas não sabem utilizar o extintor e, por isso, não adianta o item ser obrigatório

A troca do extintor veicular BC para ABC – que passou a ser obrigatória no primeiro dia de 2015 e depois teve seu prazo prorrogado por 90 dias porque o produto não estava sendo encontrado nas lojas – suscitou um discussão sobre a obrigatoriedade do equipamento nos veículos.

“É mais uma jogada de alguém que quer vender. Porque os motoristas não sabem usar o extintor. Já fui brigadista e o que percebo é que as pessoas não estão preparadas para lidar com o fogo”, opina o supervisor de produção industrial, Geraldo Amaro. A associação brasileira de consumidores Proteste também se manifestou contra a obrigatoriedade. “Nós entendemos que sem o devido treinamento do motorista não adianta ser obrigatório ter o extintor no carro. Como ele vai ser utilizado?”, afirma Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste.

O analista técnico do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi Brasil) Emerson Farias também acredita que é importante o treinamento para a utilização do equipamento. “Não adianta dar uma Ferrari se a pessoa não sabe dirigir. É o mesmo caso do extintor. Tem que saber usar”, declara. Para Farias, porém, essa busca pela informação deve ser feita pelo motorista.

“Como o próprio carro que tem manual de instrução, a pessoa deve procurar mais informações e aprender a usar o extintor antes de ter um problema”, opina. O analista defende a legislação. “Se existe a lei, cabe a nós respeitarmos. Acredito que a legislação é importante porque o extintor pode ser utilizado em princípios de incêndio”, acrescenta Farias.

Dolci diverge e compara a obrigatoriedade do extintor no carro com o kit de primeiros socorros que foi obrigatório por apenas quatro meses, entre janeiro e abril de 1999. “É o mesmo caso do kit de primeiros socorros e também do dispositivo anti-furto, que apenas penalizavam o consumidor sem trazer nada de positivo”, diz.

Para Geraldo Amaro, a mudança nas placas dos veículos que será obrigatória a partir de janeiro de 2016, conforme anunciado pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), também não traz benefício ao consumidor, apenas despesas. “As placas que terão que ser trocadas são outro exemplo. Tudo isso é apenas para alguma indústria ganhar dinheiro”, critica.

Outro ponto levantado pela coordenadora da Proteste é que não há informações sobre a eficiência do extintor em casos de incêndio. “Não foram apresentados dados demonstrando que os extintores são eficazes, independente do modelo”, afirma Dolci. Questionado, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) informou via assessoria de imprensa que o órgão não faz esse levantamento.

Segundo Maria Inês Dolci “foram esses questionamentos que fizeram o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, adiar por 90 dias a obrigatoriedade do uso e impedir a cobrança de multas”, avalia.

A coordenadora da Proteste, Maria Inês Dolci, aconselha as pessoas que foram multadas entre os dias 1°e 5 de janeiro de 2015 por não terem o extintor ABC em seus carros a recorrerem à Justiça para não pagar a penalidade.

“Esta multa foi injusta porque faltou transparência e informação para o consumidor. Além disso, muitos não conseguiram comprar o produto quando procuraram no mercado”, opina Maria Inês. (LP)

Embalagem

Custo. O empresário André Cavalcanti questiona o fato dos extintores não poderem ser recarregados. “Podiam rever as embalagens descartáveis dos extintores ABC. Isso diminuiria o custo com o equipamento”, opina.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave