‘Sejamos revolucionários’

iG Minas Gerais |

Depois dessa tragédia que se abateu sobre a liberdade nessa última semana, em Paris, com o assassinato de pessoas que nenhuma relação ou referência tinham com as justificativas dos terroristas islâmicos que covardemente invadiram a revista “Charlie Hebdo” e um mercado de produtos judaicos, até os escândalos brasileiros cederam lugar nas páginas e nos noticiários das TVs para colocar em destaque a solidariedade dos líderes de toda Europa com o governo e o povo francês nesse momento de preocupação, perdas e dor. Nada com esse viés e resultados se justifica e lamentavelmente estamos longe de enxergar o fim dessas ações, que agora passou a envolver até crianças como instrumento de sua brutalidade; crianças-bomba. Nesse fim de semana também a sede do jornal alemão Hamburger Morgempost foi incendiada, por haver republicado as charges que motivaram o atentado ao diário francês. Os atentados praticados em Paris levaram às ruas de todo país milhões de pessoas que se juntaram aos maiores líderes políticos de toda Europa para dizerem que a França está de pé e vigilante na preservação de seus mais caros princípios e conquistas democráticas e não admitirá que o terror a coloque de joelhos diante do ódio. A liderança do governo de François Hollande deu ao mundo a dimensão de sua autoridade e é isso que realmente se destaca quando um país está nesse momento em que se encontra a França: o mundo que pensa, que tem sensibilidade, que tem importância política no concerto das nações evoluídas, o mundo que se ergueu tendo valores e princípios como suporte do patrimônio histórico em que se constituem suas relações internas e com outros povos. O mundo onde a lei como referência é a proteção universal do cidadão, dos direitos, do patrimônio, e que garante o respeito ao trabalho, o acesso à saúde, à educação, à mobilidade social, enfim, à vida digna e honrada que toda pessoa de bem aspira e persegue. Vendo ontem as manifestações populares e dos líderes políticos europeus em Paris, de repúdio ao terrorismo, como foi organizada e se desenvolveu pelas ruas da cidade, ficou ainda mais evidente como estamos atrasados política e culturalmente. Em Paris, estavam nas ruas, abrindo uma passeata de um milhão de pessoas, mandatários de países que decidem o amanhã de quase todo mundo. O que se viu foi civilidade. Precisamos mobilizar com os instrumentos de nossa crítica o nosso repúdio, a nossa resistência sem qualquer tolerância aos agentes, aos métodos, aos grupos que se servem dessa indigência de princípios e de grandeza que estão na nossa ordem do dia. Se não revermos a consciência de nossos direitos e deveres, mudarmos dessa simplicidade irresponsável com a qual elegemos nossos representantes nas Câmaras municipais, no Congresso Nacional e os nossos governantes seremos vítimas permanentes do terrorismo que representa a ignorância, gerada pelo nosso crescente analfabetismo político. Sejamos revolucionários, como nos recomendou o papa Francisco. E mudemos nossos rumos. Como estamos, nosso destino é o abismo, a barbárie política.

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