Menos ensolarados, mais pilhados em beats Com “Girls In Peacetime Want To Dance”, banda escocesa mergulha mais no eletrônico Belle And Sebastian

Com “Girls In Peacetime Want To Dance”, banda escocesa mergulha mais no eletrônico

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Mudança. Com sete integrantes, a Belle And Sebastian deixa, pouco a pouco, suas raízes folk e bonitinhas
Rough Trade Records/divulgação
Mudança. Com sete integrantes, a Belle And Sebastian deixa, pouco a pouco, suas raízes folk e bonitinhas

Não é de hoje que a banda Belle and Sebastian decidiu abdicar de carregar a qualquer custo o rótulo de uma banda folk ensolarada dos anos 90. Os novos beats e efeitos eletrônicos de “Girls In Peacetime Want To Dance”, primeiro álbum do grupo escocês distribuído mundialmente pela Matador Records, não chegam perto de fazer cosquinha na discografia do grupo, incluindo o antecessor “Write About Love” (2010). Mesmo assim, prestes a completar 20 anos de carreira, a banda consegue manter algum feeling assertivo da personalidade indie pop de músicos que ainda parecem brincar com instrumentos para confortar o ouvinte: assim como faziam quando ainda gravavam fitas demo em Glasgow.

Apesar de inovações pontuais que aproximam o Belle and Sebastian cada vez mais do mundo comercial, seria no mínimo ingrato colocar na roda das crucificações uma banda que desde o fim dos anos 90 apresenta uma produção de discos coerente e de alto nível, mesmo com o vai e vem de integrantes e a mudança brusca de gravadora – eles deixaram a pequena e independente Jeepster após cinco anos de trabalho ininterrupto para assinar com a Rough Trade Records, no Reino Unido, em 2002, e a Matador Records, nos Estados Unidos, com lançamentos esporádicos a partir de 1998.

Mas a principal mudança de “Girls In Peacetime Want To Dance” em relação a outros trabalhos da banda não se restringe somente à influência de gravadoras, mas sim ao fato de o grupo ter azeitado seu som com samples funkeados que preenchem principalmente a segunda parte do álbum com exageradas – e às vezes perdidas – salpicadas eletrônicas.

A responsabilidade dessa mudança pode ser atribuída ao produtor Ben H. Allen, que trabalhou com Animal Collective e Washed Out, e pela primeira vez teve a responsabilidade de talhar o som do Belle and Sebastian. Faixa a faixa, fica claro a vontade de conservar uma linha de arranjos mais elaborados e perceptíveis no trabalho da banda a partir dos anos 2000 – quando violões folk e sussurros intimistas gradualmente começaram a ser deixados de lado a partir do elogiado “The Boy With The Arab Strap” (1998).

A faixa “Enter Sylvia Plat” explicita essa onda com uma batida similar às baladas disco dos anos 70. Enquanto isso, “Nobody’s Empire” até se esforça para convencer com uma melodia ensolarada, mas chega mais perto de um hit genérico do Coldplay do que qualquer identidade que os escoceses tiveram até hoje. Da mesma forma, o “papapa” vocalizado à capela na introdução de “Allien” sugere uma nostalgia luminosa ao estilo Clube da Esquina, mas logo mostra que a tônica da canção é dada por guitarras agressivas e rápidas, como se reverberassem alguma balada invocada dos conterrâneos do Franz Ferdinand.

Alguns suspiros de fases mais empolgantes do Belle and Sebastian aparecem na bucólica “Today (This Army’s For Peace)”, sustentada por uma linha suave de guitarra e uma percussão repetitiva, ou ainda em “Ever Had A Little Faith”, balada simplória de guitarra e bateria, sem firulas e com uma inspiração que ainda faz valer a pena suspirar por um das melhores bandas presentes até hoje no cenário underground – ainda que agora de forma cada vez mais modesta.

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