Mãe de estudante assassinado critica Beltrame em ato no Rio

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iG Minas Gerais |

Ato. Emocionada, Mausy Schomaker (de óculos, à esq) lembra do filho morto
JOSE LUCENA
Ato. Emocionada, Mausy Schomaker (de óculos, à esq) lembra do filho morto

RIO DE JANEIRO. Enquanto a temperatura não para de subir nas areias cariocas, beirando os 40 graus à sombra, no “asfalto” a violência que atinge níveis alarmantes entra novamente na pauta do dia, no Rio de Janeiro. Neste domingo, um ato com cerca de 200 pessoas lembrou a morte do estudante de biologia Alex Schomaker Bastos, 23. Organizado por Mausy Schomaker, mãe do rapaz, ela fez duras críticas ao secretário de segurança do Rio, José Mariano Beltrame.

“Se o Beltrame aparecer aqui, eu dou na cara dele”, disse Mausy. “As pessoas dizem que meu filho reagiu ao assalto, que ele estava num lugar perigoso tarde da noite. Mas que história é essa? Todos têm direito de pegar o ônibus que quiserem na hora que quiserem”.

O ato aconteceu no ponto de ônibus onde Alex foi morto a tiros na noite da quinta-feira passada, perto do campus da Praia Vermelha da UFRJ, onde ele estudava.

Em discursos, Mausy e colegas disseram que o local onde ele foi morto virou “maldito”, por conta do número de assaltos que ocorrem lá.

Sem proteção. “A política de segurança é voltada para reprimir, não para proteger. Hoje tem quatro carros da PM aqui. Durante a semana não tem nenhum. Vai ter uma viatura da PM aqui por dois meses. Depois, desaparecerá”, disse Mausy.

Alex, que era pesquisador e professor de biologia, estava prestes a se formar. “No dia 26 eu vou receber um diploma post mortem. Mas pra que ele serve? O meu filho não vai ser biólogo, não vai ter filhos, não vai para Galápagos, como ele tanto queria”, disse ela sobre o filho, que tinha o sonho de conhecer a ilha sobre a qual Darwin escreveu.

Nos discursos, colegas descreveram Alex como um profissional excepcional. Em 2014, ele ganhou o prêmio de melhor trabalho de iniciação científica no Congresso da Sociedade Brasileira de Genética.

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