‘Arca de Noé’ na Noruega tenta garantir comida para o mundo

Aquecimento global terá consequências catastróficas para produção alimentar

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Conservação. Sementes de arroz, feijão e milho foram enviadas em duas remessas pela Embrapa
Claudio Bezerra
Conservação. Sementes de arroz, feijão e milho foram enviadas em duas remessas pela Embrapa

Um aumento da temperatura de apenas 1°C pode significar um corte de 2% na produção de arroz – alimento básico para 3 bilhões de pessoas no mundo. Com a expectativa de aumento de 3°C a 4°C até 2100, as consequências para a diversidade agrícola serão catastróficas. Esse alerta feito durante a última Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, no Peru, conclui que as ameaças à diversidade agrícola global estão intimamente ligadas às alterações climáticas.

A esperança vem do frio, no arquipélago de Svalbard, no extremo norte da Noruega, onde mais de 830 mil variedades de sementes – como arroz, feijão e milho brasileiros – estão guardadas em uma caixa-forte para garantir a segurança e a diversidade alimentar no futuro da Terra. O Svalbard Global Seed Vault (Banco de Sementes da Noruega, em tradução livre) tem capacidade para receber 4,5 milhões de sementes (veja na página ao lado).

“Novas pragas e doenças estão surgindo continuamente. A população mundial continua crescendo, exigindo mais comida, e os consumidores mudam seus hábitos alimentares e a demanda por alimentos. Nós também estamos perdendo diversidade devido a mudanças de uso do solo, urbanização etc.”, explica um dos membros do projeto, David Madden.

A diretora geral do Global Crop Diversity Trust – a organização que gere o banco da Noruega –, Marie Haga, critica a falta de envolvimento durante a última Conferência da ONU. “A preservação da diversidade agrícola é uma peça concreta e vital do quebra-cabeça da mudança climática. Sem protegê-la arriscamos perder as matérias-primas necessárias para alimentar o planeta”, diz.

Avanços. Construído em 2007, o banco deve entrar em uma nova fase de estudos para recolher, conservar e dar início ao uso de amostras silvestres que já estão catalogadas. “A maior fonte de diversidades ainda inexploradas, especialmente para as características adaptativas necessárias para enfrentar os desafios das mudanças climáticas, são os parentes selvagens de nossas culturas alimentares. Esses parentes silvestres são, porém, ameaçados no seu ambiente natural e também estão em falta nas coleções de culturas”, diz Madden.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) planeja enviar novas amostras de sementes, após as duas primeiras remessas de 2012 e 2014. “Tudo indica que enviaremos sorgo, trigo e alguns outros cereais de inverno, como cevada e aveia. A modernização da agricultura teve impacto na redução da diversidade que era mantida pelo pequeno produtor, e culturas comuns na década de 70 já não são mais vistas’, afirma a pesquisadora da Embrapa Marília Burle.

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