Cinema hoje vê futuro pessimista

iG Minas Gerais |

Se os anos 80 imaginavam 2015 como o ápice do consumismo, o futuro no cinema hoje vive a ressaca disso. O que preocupa os cineastas é que os yuppies e seus filhos consumiram e exploraram e inventaram e, eventualmente, alguém vai pagar o pato. “Na década de 80, eles esperavam que tudo fosse evoluir automaticamente. Hoje, as distopias caminham inevitavelmente para o apocalipse”, resume Diogo Brasil.

Em “Interestelar”, a comida acabou. Em “Uma História de Amor e Fúria”, foi a água. Já em “A Estrada”, tudo acabou (veja a arte no topo da página ao lado). “Nós vivemos hoje o medo ecológico. É o que pauta os filmes a partir dos anos 2000, como ‘O Dia Depois de Amanhã’. O problema não está mais no invasor externo, ele é interno porque não cuidamos do que é nosso”, analisa o crítico Gabriel Carneiro, comparando com a paranoia comunista e atômica que se refletia nas invasões alienígenas dos anos 50.

Outra comparação, entre o “Planeta dos Macacos” original, de 1968, e o de 2011, deixa a diferença bem clara. “O primeiro é sobre o pânico da guerra fria, e o novo fala sobre o uso e maltrato de animais para experimentos científicos, e como isso pode afetar o mundo”, argumenta Carneiro. E o pessimismo ambiental não é por acaso. “É a pauta da vez nos jornais. Na época de ‘De Volta para o Futuro’, não lembro tanto, só a Eco-92”, recorda o crítico Renato Silveira.

Por fim, Carneiro aponta ainda uma outra preocupação que pautou as distopias futuras do cinema contemporâneo, especialmente o norte-americano: o terrorismo. O resultado são produções muito militarizadas, em que o inimigo quase não tem rosto, como “Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles”. “Mas o que deixa isso mais claro é o ‘Guerra dos Mundos’, de Spielberg, em 2005. Essa paranoia do ataque, que antes vinha da URSS, mas agora não se sabe de onde vai vir, não tem cara, e isso é muito mais aterrorizante”, opina. (DO)

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