O popular, o fácil e o sofisticado

iG Minas Gerais |

Com o 9º VAC e a 41º Campanha de Popularização do Teatro e da Dança em andamento, pode-se questionar como a ideia de “popularização” da arte serve à formação do espectador.

Para o presidente do Sinparc, Rômulo Duque, popularizar o teatro significa inseri-lo no cotidiano das pessoas “como uma opção de lazer e entretenimento”, tal como já são o cinema e o futebol. “Seria quebrar este estigma de uma coisa para intelectual, uma ‘coisa complicada’ e ‘muito cara’” – explica – e criar a sensação de que teatro “é pra mim também”.

Segundo ele, não existe uma única forma de popularização, mas a opção pela comédia sai na dianteira por ser “o gênero que mais se identifica com o povo”. “Não que seja a melhor (estratégia), mas é, dentro da lógica do profissionalismo, a que tem maior aceitação”, diz Duque. Outras formas de ampliar público incluiriam “contratar  um ator que trabalhe em televisão e seja popular ou um diretor com destaque”, diz.

Aflorar. É neste ponto que a discussão sobre formação de público se bifurca entre quem pensa em termos de facilitação para o espectador e quem critica formas de subestimá-lo.

“Popular não é a palavra que me interessa mais”, diz Ione de Medeiros, do VAC. “Supor que o povo não vai gostar de coisas muito belas e sofisticadas ou novidades é subestimá-lo. Se a gente facilita, não está confiando na parte sofisticada do ser humano que precisa ser aflorada. Cada um tem dentro de si o desejo de aprender, a sensibilidade”, crê Ione.

Nesse sentido, embora o riso seja “das coisas mais inteligentes que existe”, a comédia não seria necessariamente o caminho quando apenas reforça um lugar de conforto. Para a diretora, a função da arte é oposta: o desconforto, aquilo que tira do lugar, e por isso é capaz de tocar em questões humanas delicadas, criando identificação, gerando perguntas e – às vezes – até respostas para a vida. (LR)

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave