A trama da vez

Técnica do tempo da vovó, o crochê volta a ter status de queridinho da moda

iG Minas Gerais | Deborah Couto |

A marca Solli investe no crochê especialmente para as peças usadas como saídas de praia
solli/divulgação
A marca Solli investe no crochê especialmente para as peças usadas como saídas de praia

Todo verão sai uma tendência nova de biquíni, bolsa, look total para frequentar a praia, o clube, o iate. Isso, claro, porque se a moda do ano anterior servisse para esse, ninguém iria querer correr às lojas para comprar tudo novo. Dito isso, a corrida passa então a ser pela descoberta do que está em alta agora. Entre as peças mais procuradas do momento estão as feitas em crochê. Se você se lembrou de Fernando Gabeira nos anos 60, não se desespere. Os itens de hoje têm a pegada “boho” (o velho e bom hippie) de antigamente sim, mas com materiais e modelagem absolutamente atuais. “Prefiro o cordão 100% algodão, diferente dos tradicionalmente usados para crochê. Assim a trama fica mais fechada e dá até para vestir sem nada por baixo”. É o que conta Iasmin Leão, que produz, junto com a mãe, tops de crochê curtinhos (ou cropped) que andam fazendo sucesso entre as meninas de 18 a 25 anos. “Comecei há poucos meses porque percebi que estavam na moda. Meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) tinha o macramê como tema. Durante a pesquisa em Instagrams e páginas na Internet, notei o sucesso do crochê e pedi à minha mãe que começasse a produzir. Agora estamos lotadas de encomendas”, diz. Iasmin conta que pretende começar a criar biquínis ainda neste verão, mas não o fez por falta de tempo. Clássico repaginado A grife Solli, que também tem o crochê como destaque em suas coleções, mantém a tradição no que diz respeito à matéria-prima. “O material é o mesmo de antigamente. O que fazemos para modernizar as peças é aplicar um tingimento diferente, um tie-dye ou a cor da estação”, nos conta a gerente de marketing Ludmila Dias. Ao contrário das clientes de Iasmin, as que consomem na grife não têm nada de hippongas. “Vendemos para uma mulher mais ousada e fashion. Aquela que costuma frequentar resorts e iates e busca sofisticação. Ela geralmente usa blusas, casaquinhos e vestidos em crochê como saídas de praia”, diz Ludmila que acredita que o trabalho está sempre em alta. A professora de crochê da Escola Municipal Dulce Maria Homem, Cristina Rosa, domina a técnica há mais de vinte anos. Além de dar aulas ela produz centros de mesa, tapetes, e roupas, entre as quais croppeds e biquínis – os sucessos do verão. “Esse ano as peças para as jovens (as roupas de banho e os topzinhos) estão mais na moda do que nunca”, conta ela, que costuma produzir para as amigas e só vê a demanda crescer. “O crochê é uma arte tradicional e nunca sai de moda. Mas esses itens, especificamente, estão super em alta nesse verão”, acredita. Cristina conta que o material utilizado para produzir itens de decoração não é o mesmo com que faz as peças fashion. “Para os biquinis e croppeds uso linha de algodão. Nos trajes de banho ainda há um forro de lycra, que segura tudo lugar”, diz, mostrando que a técnica é, sim, antiga. Mas os artifícios para o uso são totalmente contemporâneos.

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