No meio do caminho

Alterações mantêm “Jornal Nacional” intacto, mas descaracterizam ainda mais o “Fantástico”, ambos da Globo

iG Minas Gerais | geraldo bessA |

Dupla. Poliana Abritta ainda está engessada na apresentação ao lado do tranquilo Tadeu Schmidt
Globo
Dupla. Poliana Abritta ainda está engessada na apresentação ao lado do tranquilo Tadeu Schmidt

Mudanças precisam de tempo para ser recebidas e analisadas. Quase três meses após a alteração promovida pela Globo no comando do “Jornal Nacional” e do “Fantástico”, já é possível definir os pontos positivos e negativos na troca.

Ambos os programas são tradicionais na grade da emissora. Com formatos institucionalizados, mais moldam o comportamento de seus apresentadores do que são afetados por eles. Tanto é que a entrada de Renata Vasconcellos para substituir Patricia Poeta à frente do “Jornal Nacional” nem fez qualquer barulho. Mas, aos poucos, fica evidente que o charme, a beleza e a seriedade da jornalista valorizam o telejornal.

Renata nunca teve carisma suficiente para encarar o “Fantástico”. No “Jornal Nacional”, ela volta a fazer com competência o que já fazia no “Bom Dia Brasil”: passar as notícias de forma elegante e ser um auxílio luxuoso para William Bonner. Se quisesse mesmo mudar algo em seu noticiário noturno, a Globo poderia mexer não apenas com as mulheres que integram a bancada, mas com Bonner, que, em 2015, completa 19 anos à frente do telejornal.

O caso do “Fantástico” é um pouco mais crítico. Com audiência oscilante ao longo dos últimos anos, o programa sofre para se manter acima dos 20 pontos no Ibope. As modificações começaram em 2011 e, pouco a pouco, o dominical vem testando apresentadores, formatos, conteúdos e perdendo cada vez mais a identidade. Inicialmente, a entrada da engessada Poliana Abritta para apresentar a revista eletrônica ao lado de Tadeu Schmidt pareceu renovadora. Repórter da Globo há 17 anos, ela sempre mostrou eficiência e seriedade ao longo de suas reportagens e aparições em programas, como o aventureiro “Globo Mar”.

Mas a cada domingo fica evidente que o jeito duro de Abritta se contrapõe à postura mais solta de Tadeu e não se harmoniza com a proposta de informação, cultura e entretenimento que fez a fama do “Fantástico”. Sem assumir erros de forma direta, mas apontando para outras direções, a Globo parece não desistir tão fácil na missão de reestruturar dois carros-chefe de sua programação.

No entanto, para surtir algum efeito, os cortes precisar ser mais profundos em direção a algo totalmente novo. Ou retomar para o caminho mais confortável.

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