Despedida da dupla dinâmica

Cerimônia deste domingo será a última apresentada pela inspirada parceria das comediantes Tina Fey e Amy Poehler

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Sucesso. À frente do Globo desde 2013, Fey e Poehler renderam recordes de audiência à premiação
frederic j. brown /afp
Sucesso. À frente do Globo desde 2013, Fey e Poehler renderam recordes de audiência à premiação

O Globo de Ouro – que o TNT transmite ao vivo neste domingo, a partir das 23h – tornou-se, nos últimos anos, uma premiação em que pouco importa quem ganha. A cerimônia tem sido imperdível por outro motivo, que atende pelos nomes de Tina Fey e Amy Poehler. As duas comediantes, e melhores amigas, vêm roubando a cena com piadas inspiradas e zoações ácidas com a nobreza do cinema e da TV, que quem é fã de cultura pop não quer perder por nada – especialmente porque a dupla já anunciou que este será seu último ano apresentando a premiação.

Mas Hollywood adora dar e receber prêmios e parabenizar a si mesma. Então, muitas pessoas ganharão estatuetas douradas e proferirão discursos levemente embriagados pelo uísque que rola solto na festa.

No cinema, a grande expectativa gira em torno de “Boyhood: da Infância à Juventude”. Se o filme ganhar hoje, ele confirma a aclamação que vem recebendo no último mês e segue como favorito ao Oscar. Mas se perder para “O Jogo da Imitação”, seu principal adversário, será um sinal forte de que é mais adorado pela crítica, e que as premiações mais populistas de Hollywood podem se render ao argumento de que “nada acontece” no filme.

Richard Linklater, diretor de “Boyhood”, no entanto, dificilmente perde em sua categoria. Seu maior oponente é Alejandro G. Iñarritú, que orquestrou seu “Birdman” para parecer filmado sem nenhum corte.

As categorias de atuação repetem a tendência dos últimos anos: uma disputa acirrada por melhor ator, entre Michael Keaton (“Birdman”), Steve Carell (“Foxcatcher”), Benedict Cumberbatch (“Imitação”) e Eddie Redmayne “(A Teoria de Tudo”); em contraste com uma fraca lista de atrizes, com Julianne Moore como a grande favorita, por “Para Sempre Alice”, perdendo apenas se a queridinha Jennifer Aniston surpreender com “Cake – Uma Razão para Viver”.

Já na televisão, a tradição do Globo de Ouro de apostar em novidades sempre torna a cerimônia bem mais interessante que o Emmy. Nas categorias de comédia, eles acertaram em cheio indicando ótimas séries como “Transparent” e “Orange Is the New Black”, que tomam o lugar de favoritas das envelhecidas “Modern Family” e “The Big Bang Theory”.

A grande aposta na seara dramática, contudo, não foi tão acertada. A novata “The Affair” recebeu indicações a melhor série, ator e atriz, mas nunca correspondeu à expectativa de sua premissa – a história de um caso extraconjugal, em que todo o episódio narra os mesmos eventos do ponto de vista dos dois protagonistas. A novidade deixou de fora produções bem melhores, como “Homeland”, “Masters of Sex” e “The Knick”. E deve perder nas principais categorias para “The Good Wife” (série), Viola Davis (atriz, por “How to Get Away with Murder) e Clive Owen (ator, por “The Knick”).

Mas, mais uma vez, nada disso importa. Votado por um grupo de jornalistas de competência questionável e seduzidos por presentes e viagens concedidos pelas celebridades que indicam, o Globo de Ouro significa pouco em termos de qualidade. O que interessa de verdade na noite deste domingo são as piadas que Fey e Poehler farão com o ataque à Sony, as acusações de estupro contra Bill Cosby e outros escândalos recentes em Hollywood. Espere farpas afiadas que você nunca veria no Oscar.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave