Pensamentos e testemunhos que atravessaram séculos

Em “Cartas da Humanidade”, Márcio Borges organiza volume com 141 correspondências

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Pesquisa.
 Márcio Borges conta que reúne os textos apresentados no livro desde a década de 1990
CHARLES SILVA DUARTE/OTEMPO
Pesquisa. Márcio Borges conta que reúne os textos apresentados no livro desde a década de 1990

Márcio Borges, um dos fundadores do Clube da Esquina, é fascinado por cartas, o que o levou a colecionar muitas delas. De textos datados de períodos anteriores à Idade Média, incluindo registros de povos antigos como os sumérios e os egípcios, a depoimentos recentes, a exemplo das palavras do presidente norte-americano Barack Obama, o seu acervo reúne visões de várias épocas.

De acordo com ele, atualmente o conjunto acolhe cerca de 600 documentos. Desse repertório, ele selecionou 141 exemplares para produzir o livro “Cartas da Humanidade: Civilização Escrita à Mão”, que chega agora às livrarias. Organizado pelo letrista e escritor mineiro em 2014, o projeto tem, para ele, um grande valor histórico, especialmente por apresentar testemunhos que servem como contraponto às versões oficiais de alguns fatos.

“Muitas vezes lemos textos que narram como foram as Cruzadas e as batalhas entre cristãos e mouros a partir de determinado ponto de vista. Mas quando é encontrada a carta de um sobrevivente se comunicando, por exemplo, com a sua mulher, podem surgir coisas muitos interessantes. Isso me atrai mais do que o relato oficial, porque ali eu acompanho a voz de quem viu as coisas de frente, comeu da comida disponível e viu o sangue de uma forma que nenhuma outra pessoa viu”, diz Márcio Borges.

A compilação, lembra ele, é resultado de um hobby que mantém desde a década de 1990, logo quando teve contato com a internet. “Desde as primeiras vezes em que me conectei, o que fiz foi visitar sites de museus em busca desses textos antigos. Eu fico muito feliz, por exemplo, quando encontro um poema achado na tumba de um nobre egípcio e descubro que é uma declaração de amor a uma mulher. Eu acho lindo que uma coisa de mais de 2.000 anos consiga comunicar algo que continua fazendo sentido no presente”, observa ele.

O título, ao seu ver, funciona também como uma espécie de guia para o leitor encontrar facilmente textos importantes que atravessaram séculos. São exemplos a carta de Colombo ao rei e à rainha da Espanha (1494), a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal (1500), entre outras que permeiam a vida de escritores, como Machado de Assis, Oscar Wilde e Fernando Pessoa.

Também integram o livro, por sinal, cartas de outros artistas. Os diálogos entre os cineastas Godard e Pasolini ou a conversa travada entre a atriz Jeanne Moreau e o cineasta Orson Welles são alguns dos selecionados. “Eu traduzi textos do francês, do inglês e do espanhol que mostram histórias revestida de sentimentos”, sublinha Borges.

Nas livrarias

“Cartas da Humanidade”(ed. Geração, 468 págs., R$ 59) é organizado e traduzido por Márcio Borges.

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