Com falta de leitos, paciente fica sem cirurgia de emergência

Após ter um aneurisma, Ary Simão Pierre, 73, aguarda, há cinco dias, transferência para Belo Horizonte

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Emergência. 
Nos últimos cindo anos, o Estado perdeu mais de 2.000 leitos, ficando atrás somente do Rio no ranking de perda de vagas
HC-UNICAMP/DIVULGACAO
Emergência. Nos últimos cindo anos, o Estado perdeu mais de 2.000 leitos, ficando atrás somente do Rio no ranking de perda de vagas

Com um aneurisma que vem provocando complicações no pulmão, o aposentado Ary Simão Pierre, 73, está internado em estado grave há cinco dias no hospital público São Sebastião, em Viçosa, na Zona da Mata, aguardando transferência para um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em Belo Horizonte, onde possa passar por uma cirurgia considerada de emergência.  

O filho do paciente, o servidor público Sérgio Pierre, 47, conta que o pai deu entrada na unidade na última segunda-feira com fortes dores. Desde então, o aposentado vem sendo mantido sedado e seu quadro é considerado estável, mas crítico. “A cada dia que passa, em função do aneurisma que está com um pequeno vazamento, ocorre maior coagulação do sangue, o que leva à compressão no pulmão. É como uma bomba-relógio”, diz.

Segundo Pierre, o próprio hospital de Viçosa recomendou que o paciente fosse transferido para o Hospital Madre Teresa, em Belo Horizonte, onde Ary já havia passado por outros dois procedimentos. “Há cinco anos, quando foi diagnosticado, ele foi atendido e fez duas cirurgias em 2010 e 2011, no Madre Teresa. Assim que foi detectado o problema, no dia seguinte, ele conseguiu a vaga e tudo fluiu bem”, lembra.

Porém, agora, sem ter nem uma previsão de quando a vaga pode aparecer, a família teme que o pior aconteça antes mesmo que o leito seja disponibilizado. “A gente pede informação, mas não consegue. A única coisa que falam é que está dependendo da UTI em Belo Horizonte esvaziar, porque está lotada e sem condições de receber qualquer pessoa”, lamenta a nora do paciente, a empresária Cátia Chein, 38.

Faltam leitos. O drama vivido pela família do aposentado pode ter origem na diminuição no número de leitos de internação do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o Brasil nos últimos cinco anos, conforme O TEMPO mostrou em reportagem veiculada nesta sexta. Segundo o levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM), Minas Gerais ocupa hoje a segunda posição entre os Estados que mais perderam leitos da rede pública (2.132), ficando atrás apenas do Rio de Janeiro (5.977).

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) comentou que “a redução do número de leitos é uma tendência mundial”, e a assessoria da Secretaria Municipal de Saúde disse que nos últimos sete anos houve um crescimento na quantidade de espaços em Belo Horizonte.

Leitos SUS

Posição. A reportagem de O TEMPO também entrou em contato com as assessorias de imprensa do Ministério da Saúde e da Fhemig, mas não teve retorno até o fechamento desta edição.

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