Mãe recebe certidão de óbito de filha morta em 1992

Menina de 5 anos foi assassinada por dois irmãos

iG Minas Gerais | Bernardo Almeida |

Jocélia mostra foto da filha e um abaixo-assinado contra a impunidade
ELCIO PARAÍSO – 08.03.2006
Jocélia mostra foto da filha e um abaixo-assinado contra a impunidade

Mãe de uma menina cruelmente assassinada em 1992, quando ainda tinha 5 anos, a socióloga Jocélia Brandão, 48, só conseguiu obter a certidão de óbito da filha no último dia 30 – 22 anos após o crime. O documento foi requisitado em 2013, e desde então a tramitação para a liberação da certidão vem se arrastando na Justiça.

A menina Míriam Brandão foi morta pelos irmãos Welington e William Gontijo Ferreira. Em dezembro de 1992, ela foi sequestrada pela dupla com ajuda de Rosemaire Pinheiro da Silva, que trabalhava na farmácia da família de Jocélia. A socióloga afirma que ter o documento em mãos após tantos anos traz um misto de sentimentos. “Sinto alívio, porque é um direito, meu e da Míriam. É como se houvesse o fechamento de um ciclo da minha vida, já que ela não pôde ser enterrada porque não havia corpo”, contou.

Sem o corpo, não foi possível obter a certidão na época do crime. Em 2013, o advogado Romeu Coelho Carmo aconselhou Jocélia a procurar o cartório por meio do Fórum de Justiça. “Primeiro procuramos a Vara Criminal, que nos direcionou à Vara Cível, que nos encaminhou à Vara de Sucessões”, contou o defensor.

Agora, a mãe acredita que o documento pode ajudá-la a embarcar em uma nova tarefa, a condução do Instituto Míriam Brandão, voltado para o auxílio a parentes de crianças e idosos vítimas de violência. “Confesso que, enquanto eu não resolvesse isso, não me sentiria bem para conduzir os trabalhos do instituto”.

Até o fechamento desta edição, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais e o Ministério Público não se pronunciaram sobre o caso. Os assassinos. Condenados em 1995, William Gontijo Ferreira, hoje com 46 anos, foi condenado a 32 anos de detenção. Atualmente, ele cumpre regime aberto. Welington, 45, foi condenado a 21 anos, e teve a pena extinta em 2009. Rosemaire, 45, foi condenada a 18 anos, cumpriu oito, mas já terminou de cumprir a pena.

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