Sinal dos Tempos

iG Minas Gerais | Paulo Navarro |

Casa Cor - Cícera Gontijo, premiada por seu “Studio do Solteiro”, entre Ana Luiza Cornélio e Sandra Viana, da Ana Luiza Decorações
Divulgação
Casa Cor - Cícera Gontijo, premiada por seu “Studio do Solteiro”, entre Ana Luiza Cornélio e Sandra Viana, da Ana Luiza Decorações

Pelo volume de carros (nem parece que estamos em férias escolares!), shoppings e supermercados lotados no Natal, notamos que hoje Belo Horizonte tem muitos “filhos” com raízes fincadas aqui. Cada vez menos gente busca o interior nesta data. Com o calor – e nada das chuvas –, em alguns clubes faltaram cadeiras e espreguiçadeiras. Outro novo hábito do mineiro: são os parentes do interior que vêm passar as festas na capital.

Sinal dos anos Após 117 anos, criamos a nossa sociedade. Antigamente, dizia-se que a sociedade belo-horizontina cabia dentro do Automóvel Clube. As expressões culturais passavam por eventos como Glamour Girl, Showçaite etc. Éramos ruralistas. Os mais abonados (coronéis/fazendeiros) se mudavam do interior para cá. Crescemos e agora festejamos por aqui. Apesar de ser maior a debandada no Réveillon e no Carnaval, festas da virada e blocos de rua pululam. Outro motivo para adiar a viagem de férias: tudo caríssimo nesta época!   Felizes anos novos De 2013 para 2014, a promoter Tatiana Gontijo, de BH, se juntou a Wictor Arraes e Luiz Fleury para arquitetar “O” Réveillon em Miami: Five Star New Year’s Eve. Desta vez, Tatiana carimbou a segunda edição da festa, reunindo miríade de próceres no Pérez Art Museum Miami, museu de arte contemporânea com incrível vista para a Biscayne Bay. Seguindo a tradição brasileira, o “dress code” era branco. Já virou o Réveillon mais badalado de Miami.   Incontornável Rio Enquanto isso, derretemos no Rio de Janeiro, que transborda turistas. “Culpa” do dólar nos píncaros, que atrai gringos e intimida os brasileiros a ir para o exterior, além de aquecer o aluguel de veraneio no litoral fluminense, com preços idem. O Rio continua abarrotado após a virada, quando recebeu quase 900 mil visitantes. Entre os estrangeiros, os argentinos eram a maioria (18%), seguidos de alemães e espanhóis (12%). Dos turistas brasileiros, 28% eram de São Paulo e 25%, de Minas.   Insuportável Rio Apesar da mineirada em peso, temos encontrado poucos amigos. O mineiro está buscando férias mais “light”, tipo em Angra dos Reis. No Rio, há fila pra tudo em Ipanema, Copacabana, Leblon e na Barra. Como em qualquer cidade turística do mundo, são disputadíssimos os pontos tradicionais, além dos bares e restaurantes. E a guerra por um táxi? Os gringos fazem filas para as vans.   Lastimável Rio É tanta gente – vide capa do jornal “O Globo”, chamando de “Serra Pelada” o Arpoador, pois a pedra parecia um formigueiro humano – que há até multa (R$ 170) pra quem fizer xixi no Arpoador. Com a cidade apinhada, os serviços não acompanham. O atendimento, que já era ruim, fica péssimo. Que o diga a mineira Bethy Lagardère, que vive na cidade: “Só faço compras (até supermercado) em São Paulo, onde a qualidade dos serviços é incomparável”, revela à revista “Poder”.   Intolerável Rio Continua Bethy: “A comida vai para o Rio em um caminhãozinho ‘congelado’ que eu freto. E não é só supermercado. Tudo: dentista, médico, cabeleireiro, maquiador. Eu não consigo comer uma pizza no Rio. A única coisa que funciona naquela cidade é o Projac. Mas aí a gente vê o mundo ali em volta, a miséria, tudo tão feio, e pergunta: ‘Pelo amor de Deus, aonde vamos chegar?’”.   LANÇA-PERFUME   Ainda no Rio, nas areias de Copacabana e Ipanema, estão de volta, além dos arrastões, os tatuís, bichinhos do tempo de “como era verde o meu vale que os anos não trazem mais”.    A meninada tá encantada, mas não sabe que os tatuís estão apenas de passagem por estas praias: tem muita gente nas areias nesta época.   Também aumentou bastante a quantidade de moradores de rua na zona sul, mesmo com as abordagens diárias da Secretaria de Desenvolvimento Social, oferecendo alternativas de inclusão às pessoas em situação de risco. Mas os sem-teto não são obrigados a acompanhar os agentes.   Na Lagoa Seca do Belvedere, o ex-craque Toninho Cerezo, habitué diário do Cooper, lembrava que, no início de sua trajetória, o então presidente do Galo, Valmir Pereira, e seu parceiro no Cartório de Notas, Tite, se assustaram com o valor do seu contrato (alto para a época), na hora da assinatura.   Susto até do procurador de Cerezo, que soltou: “Eu não disse?”. O contrato foi fechado com uma prática mais informal, corriqueira naqueles tempos: empresários amigos do clube fizeram cheques nominais para viabilizá-lo. Cerezo até citou alguns nomes.  

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