Entenda os acontecimentos desde o massacre na Charlie Hebdo

Recorde os fatos ocorridos desde o atentado que matou 12 pessoas na redação do Charlie Hebdo, em Paris, no pior ato terrorista na França em meio-século

iG Minas Gerais | AFP |

Um muçulmano segura uma placa onde se lê
AFP PHOTO / JEAN-PHILIPPE KSIAZEK
Um muçulmano segura uma placa onde se lê "Não foi em meu nome", em manifestação nesta sexta-feira (9), perto da mesquita Saint-Etienne, na França.

O ATENTADO

Na quarta-feira, dia 7, por volta de 11h30 (8h30, no horário de Brasília), dois homens vestidos de preto, encapuzados e armados com fuzis automáticos abrem o fogo na redação de Charlie Hebdo, em plena reunião de pauta, aos gritos de "Allah akbar" (Alá é grande). Matam 11 pessoas na sede do jornal e um policial na saída, antes de fugir de carro rumo à zona nordeste de Paris, onde trocam de veículo ao render um motorista. O presidente François Hollande chega ao local do atentado, lança um apelo à "Unidade nacional" e decreta um dia de luto para o dia seguinte. A polícia persegue os irmãos Chérif e Saïd Kouachi, de 32 e 34 anos, nascidos em Paris, de pais argelinos. O primeiro já foi condenado em 2008, por ter atuado num grupo que enviava jihadistas no Iraque. Reações comovidas tomam conta do mundo inteiro, com o lema "je suis Charlie" (Sou Charlie) espalhado nas ruas e nas redes sociais. Durante a noite, mais de cem mil pessoas manifestam na França e várias outras se reúnem em outras cidades do mundo, inclusive no Brasil, no Rio de Janeiro e em São Paulo. A CAÇADA Na manhã de quinta-feira, uma guarda municipal é morta a tiros e outro funcionário é gravemente ferido em Montrouge, no sul de Paris. O autor do tiroteio consegue escapar.

Os irmãos Kouachi são reconhecidos durante a manhã pelo gerente de um posto de gasolina que assaltaram, perto de Villers-Cotterêt, a 80 km ao nordeste da capital. Policiais vasculham a área, sem sucesso.

A maioria das capas de jornais têm a cor dominante preta em sinal de luto, e anônimos colocam flores, lápis, velas e mensagens perto da sede de Charlie Hebdo. Ao meio dia, o país todo respeita um minuto de silêncio, enquanto os sinos dobram na catedral Notre Dame de Paris. As luzes da Torre Eiffel, outro cartão postal da cidade, são desligadas por alguns instantes às 20h00 locais.

Chérif e Said Kouachi são chamados 'heróis jihadistas' pela rádio da organização terrorista Estado Islâmico (EI). Ele figuram há anos na lista negra do terrorismo do FBI americano. OS SEQUESTROS Na sexta-feira, a caçada continua e um forte tiroteio começa num bloqueio policial, após os irmãos terem sido reconhecidos por um motorista que teve seu carro roubado.

Os fugitivos, que ainda possuem armamento pesado, estão entrincheirados com um refém num pequena gráfica situada em uma zona industrial da cidade de Dammartin-en-Goële, a vinte quilômetros do aeroporto internacional de Roissy, cujo plano de voo foi modificado.

A pequena cidade de 8.000 habitante é cercada pelas autoridades, enquanto helicópteros sobrevoam a área. Várias escolas são evacuadas, e outras mantém as crianças confinadas. O presidente Hollande renova seu apelo à "Unidade Nacional" e chama "todos os cidadãos" a comparecer às ruas para a manifestação marcada este domingo em homenagem às vítimas.

O suspeito do tiroteio de Montrouge, que matou a policial, é identificado, e várias fontes policiais afirmam que uma "conexão" foi estabelecida entre este suspeito e os irmãos Kouachi. Todas as mesquitas da França são convidadas a homenagear as vítimas do atentado. A cerca de 13h00 locais (10h00 de Brasília), pelo menos duas pessoas são mortas num tiroteio na Porte de Vincennes, ao leste de Paris, e várias são feitas reféns em um mercado judaico. De acordo com uma fonte próxima ao caso, há suspeitas de que o sequestrador seja o atirador de Montrouge, identificado como Amedy Coulibaly, de 32 anos, que conhece pelo menos um dos irmãos Kouachi e já foi condenado num caso de tentativa de fuga de prisão de outro jihadista. A polícia divulgou retratos de Coulibaly e de uma mulher, Hayat Boumeddiene, de 26 anos, também suspeita do ataque em Montrouge. AÇÃO SIMULTÂNEA Depois de um cerco que se arrastou por horas, os sequestros chegaram ao fim com dois ataques praticamente simultâneos aos jihadistas entrincheirados na gráfica e no mercado. As ações foram iniciadas pouco depois de 17h00 locais (14h00 no horário de Brasília). Em Dammartin-en-Goële, os irmãos Kouachi foram mortos quando saíram atirando por estarem acuados, e o refém foi libertado são e salvo. No mercado judaico da Porte de Vincennes, em Paris, a ação teria deixado cinco mortos, inclusive o sequestrador, além de quatro feridos graves, de acordo com fontes de segurança. Imagens muito fortes da televisão francesa mostraram o ataque do polícia na porta da loja, com forte tiroteio, e reféns saindo e sendo levados a salvo atrás de um veículo blindado.

Leia tudo sobre: charlie hebdoatentadoparisterrorismoterroristasfrança