'Ação da polícia francesa foi exemplar', diz especialista em segurança

Luiz Flávio Sapori defende que as mortes dos irmãos Kouachi e de Ahmedi Koulibaly pela polícia francesa foram "tecnicamente justificáveis"

iG Minas Gerais | LUCAS BUZATTI |

Policiais cerca proximidades de mercado judeu em Paris
LOIC VENANCE
Policiais cerca proximidades de mercado judeu em Paris

O agência de notícias AFP informou, no início da tarde desta sexta-feira (9), que Chérif e Saïd Kouachi foram mortos pela polícia em Dammartin-en-Goële. Os irmãos, presumíveis autores do atentado à revista satírica Charlie Hebdo, que deixou 12 mortos e 11 feridos na última quarta (7), fizeram um refém em uma gráfica da cidade, que fica a 42 km de Paris, durante esta manhã.

Em ação coordenada, um homem identificado como Ahmedi Koulibaly, que seria ligado aos irmãos, fez reféns em um mercado judeu do subúrbio parisiense de Vincennes. Segundo o jornal francês Le Monde, Koulibaly teria sido morto durante a ação policial, após matar quatro reféns. Três policiais ficaram feridos na ação de Paris e um após a troca de tiros com os irmãos Kouachi.

Especialista em segurança e professor da PUC Minas, o doutor em sociologia Luis Flávio Sapori defende que a ação da polícia francesa foi exemplar - tanto pela rápida identificação dos autores quanto pelo cerco policial e pela resposta às ações terroristas desta quarta-feira. "A ação tática empreendida foi de sucesso, com um desfecho muito rápido. A polícia agiu com eficiência e poucos danos. Não há nenhum senão a ser observado", analisa.

O professor pontua que a morte dos terroristas é "tecnicamente justificável", uma vez que os criminosos em questão eram terroristas dispostos a morrer e a matar. "Não há negociação com terroristas, não são assaltantes de banco", pontua. "O enfrentamento ao terrorismo é típico de guerra e muito diferente de ações contra crimes urbanos, envolve uma ameaça ao Estado como um todo. Os critérios de avaliação são totalmente diferentes", conclui.