Grandes parceiros comerciais do Brasil pisaram no freio

Com economias em crise ou estagnadas, China, Argentina, Mercosul e Ásia compraram menos

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Destino. Vários países, principalmente Argentina, europeus e asiáticos, reduziram as compras de produtos brasileiros no ano passado
WERTHER SANTANA/Estadão Conteúdo
Destino. Vários países, principalmente Argentina, europeus e asiáticos, reduziram as compras de produtos brasileiros no ano passado

Parceiros comerciais do Brasil colocaram o pé no freio na hora de comprar do país em 2014 e ajudaram a contabilizar o déficit na balança comercial (diferença das exportações e importações), que somou US$ 3,93 bilhões em 2014. Foi o primeiro déficit anual desde 2000. As exportações do Brasil caíram 7% no ano passado.  

Entre os destinos dos produtos brasileiros, a Ásia é o maior destaque, com 32,7% do total. O continente comprou 5,3% menos em 2014 na comparação com o ano anterior. Na divisão por países, as vendas para China registraram queda de 11,8%, por conta da redução da demanda por ferro fundido, soja, minério de ferro, petróleo e açúcar. Para o Mercosul, a vendas brasileiras tiveram redução de 15,2%, com destaque para a queda de 27,2% nas compras argentinas de automóveis e autopeças.

Especialistas em economia e comércio exterior observam que não adianta apenas ter um câmbio favorável, como vem acontecendo, mas mercado para poder vender e diversificação da pauta exportadora, hoje concentrada em produtos primários e insumos. “Não basta ter preço bom se não tiver para quem vender. O fato é que as exportações brasileiras para vários países caíram no ano passado. Com destaque para China e Argentina”, observa o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José augusto de Castro.

Para ele, o país precisa diversificar os destinos das exportações. “Nos últimos anos, por exemplo, não foi realizada nenhuma missão do governo brasileiro para os Estados Unidos. O país está se recuperando e poderia ser uma boa opção para os produtos brasileiros. Só que falta vontade política. É preciso pensar mais comercialmente do que ideologicamente”, ressalta.

O professor de finanças da Universidade Fumec Leonardo Teixeira afirma que a política comercial externa deixou a desejar. “O Itamaraty precisa ser mais ativo. Hoje, está opaco”, diz.

Ele aposta em um cenário um pouco melhor para o comércio exterior por causa do câmbio. Entretanto, Teixeira afirma que não é possível garantir que haja superávit da balança comercial brasileira. “A China, nosso principal parceiro comercial, comprou commodities baratas em 2014 e o mesmo deve continuar este ano. Um dos problemas é que o nosso modelo exportador é dependente das commodities”, diz.

Minas Gerais 2014. Houve queda das exportações mineiras para seus principais parceiros, como China, Japão, Holanda e Argentina. O recuo médio foi de 21,8%, conforme dados da Central Exportaminas.

Nem alta do dólar deve ajudar O cenário para o comércio exterior no Brasil não promete ser dos melhores na avaliação dos especialistas, mesmo com a cotação do dólar em patamares mais elevados. Há expectativa de repetir o déficit também em 2015. “Comércio exterior é complexo, não é só câmbio”, ressalta o professor de economia do Centro Universitário UNA Luiz César Fernandes. “O cenário ainda é de desaquecimento da economia global. O resultado pode ser déficit neste ano”, diz. O ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, estima déficit entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões para 2015.

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