‘Edição dos sobreviventes’ terá 1 milhão de exemplares

Revista “Charlie Hebdo” recebe ajuda financeira para se manter e publicar número especial

iG Minas Gerais |

Drama. Interior da revista após ataque dos terroristas era desolador: sangue por todo lado
REPRODUCAO LE MONDE
Drama. Interior da revista após ataque dos terroristas era desolador: sangue por todo lado

Paris, França. A revista satírica francesa “Charlie Hebdo” anunciou nesta quinta, um dia após o massacre que devastou sua redação, que publicará na próxima semana uma edição de 1 milhão de exemplares, apoiada por outros meios de comunicação que a transformaram em símbolo da liberdade de expressão.  

O atentado gerou uma onda mundial de repúdio e deixou a França em estado de comoção pelo grau de violência do ataque, que deixou 12 mortos e 11 feridos, vários deles em estado grave.

Perto da sede da revista, no distrito XI de Paris, onde dois homens armados invadiram a redação e abriram fogo antes de fugir ao grito de “Alá é grande!”, “Vingamos o profeta!” e “Matamos ‘Charlie Hebdo’”, os parisienses penduraram na rua retratos de alguns dos caricaturistas mais conhecidos assassinados.

Em toda a França foram registradas manifestações espontâneas para repudiar o atentado, enquanto jornalistas, autoridades políticas e cidadãos anônimos nas redes sociais exigiram que a “Charlie Hebdo” sobreviva, carregando por todo o país cartazes que proclamam “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie). “Vamos seguir, decidimos voltar a sair na próxima semana. Estamos todos de acordo”, disse Patrick Pelloux, um dos cronistas sobreviventes. “Vamos fazer de casa, vamos fazer isso funcionar”, acrescentou, informando que atualmente não tinham acesso à sede da “Charlie Hebdo” devido à investigação.

A equipe da “Charlie Hebdo” realizou uma reunião nesta quinta para falar sobre o futuro da publicação, explicou à AFP Gérard Biard, chefe de redação. “Será uma edição dos sobreviventes” de oito páginas, disse, em vez das 16 habituais, que começará a ser elaborada a partir de sexta-feira na sede do jornal Liberation.

Desde o atentado, a revista, que sofria sérias dificuldades financeiras, recebeu muitas propostas de apoio, pedidos de assinatura e doações.

Estado Islâmico chama terroristas de ‘heróis’ Beirute, Líbano. A rádio do grupo radical Estado Islâmico (EI) qualificou nesta quinta de “heróis” os autores do ataque ao jornal satírico francês “Charlie Hebdo”, que deixou 12 mortos na quarta-feira, em Paris. “Os heróis jihadistas mataram 12 jornalistas e feriram mais de dez outros que trabalhavam no jornal “Charlie Hebdo” e fizeram isso para vingar o profeta Maomé”, noticiou o boletim da rádio “Al Bayane”, do EI, que controla grandes partes do território do Iraque e da Síria. A rádio do EI lembrou que o periódico “não parou de insultar o profeta desde 2003”, em alusão à publicação de caricaturas de Maomé. O ataque não foi reivindicado, mas, ao atirar, os atacantes gritavam, “Nós vingamos o profeta!” e “Allah akbar" (Alá é grande), segundo um sobrevivente. Dois irmãos jihadistas, Cherif e Said Kouachi, eram procurados nesta quinta.

Jornal recua Temor. O jornal dinamarquês que é ameaçado desde que publicou, em 2005, caricaturas de Maomé, foi o único nesta quinta que não reproduziu nenhum desenho da “Charlie Hebdo” Justificativa. “Reafirmo meu direito como redator-chefe de publicar qualquer tipo de desenho (...) Mas não agora”, disse Jyllands-Posten.

Em Brasília A Embaixada da França em Brasília recebeu ordens de Paris para reforçar a vigilância da sede diplomática no Brasil. A medida foi tomada após o ataque ao jornal Charlie Hebdo, que deixou 12 mortos. A embaixada afirmou que o protocolo normal de segurança continua sendo adotado, e que não foi necessário o aumento no efetivo de guardas no local. O atendimento à população funciona normalmente. A embaixada francesa agradeceu as mensagens de solidariedade recebidas, inclusive da presidente Dilma Rousseff.

Suspenso O escritor francês Michel Houellebecq suspendeu a promoção de seu livro “Soumission”, acusado por seus críticos de veicular a islamofobia, após a morte de seus amigos no atentado. Houellebecq se diz muito afetado pela morte de seu amigo Bernard Maris no ataque. “O escritor deixou Paris e foi para o campo, para a neve”, informou sua editora, a Flammarion. Bernard Maris, economista de esquerda, admirava Houellebecq profundamente, vendo nele um analista lúcido do liberalismo.

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