A história contada do ponto de vista do povo

Em cartaz na Funarte, a comédia “A Hora do Brasil: Uma Chanchada Nacional” revisita o passado do país

iG Minas Gerais | Luciana Romagnolli |

Ederson Miranda brinca com os clichês para contar a história do país
alex stoppa/Divulgação
Ederson Miranda brinca com os clichês para contar a história do país

A História oficial, essa com “h” maiúsculo, contada pelos vencedores, não interessava ao ator, dramaturgo e diretor Ederson Miranda ao criar “A Hora do Brasil: uma Chanchada Nacional”, em cartaz pela 41ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança. Os personagens que interpreta revelam uma perspectiva popular. São tipos do povo. Não Cabral, mas um viajante da caravela. Não Tiradentes, mas um caipira que alega ter idealizado a Inconfidência mineira.

Miranda repete procedimentos do solo de estreia, “Deuses”, como a pesquisa sobre o tema seguida pela escrita do texto, antes de transformá-lo nos ensaios. Desta vez, porém, contou com a parceria do dramaturgo paulista Felipe de Moraes para dar leveza à peça.

Embora tenha Julio Adrião (premiado por “A Descoberta das Américas”) como “inspiração eterna”, Miranda trocou a narração por esquetes como as do teatro de revista – com a diferença de que conta uma história linear. Além do apresentador, faz seis tipos nacionais: o português gay, o índio comedor, o padre bêbado, o caipira, o escravo e a feminista. “Foi um exercício trabalhar com estereótipos e não ser clichê; é quase impossível”, diz o ator.

“Tento dar uma reviravolta no clichê. Não tem como escapar porque o estereótipo é um carimbo: ‘Lá vem o caipira’. Mas o texto faz com que o bobão do interior na verdade seja o inteligente”, exemplifica.

No caso do personagem gay, a saída é retratar Cabral como homofóbico. “É o oprimido que zoa o opressor. O escravo zoa os bacharéis”, diz. Tem ainda a feminista, para aliviar o machismo do universo retratado. “Não adianta, se você vai fazer comédia muito popular, escapar disso é difícil. Eu trabalho com personagens do ‘Zorra Total’, mas tento fazer o que o Chaplin fazia de zoar Hitler, o que o Taratino faz de recontar a história e matar o Hitler. Se consigo, é outra história”.

Serviço.  “A Hora do Brasil: Uma Chanchada Nacional”. 5ª a sáb., às 21h, dom., às 20h, na Funarte MG (rua Januária, s/n). Até 1º/2. R$ 10.

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