‘Vi tiros e fumaça pela janela’

Juliàn Techera mora a 100 metros do ‘Charlie Hebdo’ e conta tudo que viu em entrevista exclusiva

iG Minas Gerais | Ana Paula Moreira |

Manifestação. Milhares de franceses foram às ruas, ontem, em Paris, protestar contra o ataque a jornalistas e cartunistas do semanário
LAURENT DARD
Manifestação. Milhares de franceses foram às ruas, ontem, em Paris, protestar contra o ataque a jornalistas e cartunistas do semanário

O dia 7 de janeiro deste ano vai ficar marcado na memória de todo mundo por causa do atentado aos jornalistas e cartunistas do “Charlie Hebdo”. Mas para o francês de origem uruguaia Juliàn Galli Techera, 36, vai ser impossível esquecer os acontecimentos daquela manhã. “Eu vi uma parte do ataque. Não vi dentro dos escritórios do ‘Charlie Hebdo’, mas vi o tiroteio”, relata o técnico de áudio em entrevista exclusiva a O TEMPO. Juliàn mora e trabalha a menos de 100 metros do prédio da revista atacada. “Olhei da minha janela e vi muita fumaça e balas de tiros. Então me joguei no chão junto com o meu cachorro”, conta o francês, que viu pessoas tentando fugir dos terroristas. “Alguns funcionários se salvaram subindo para o telhado do prédio”. O francês afirma que o ataque ao “Charlie Hebdo” foi diferente de outros atos terroristas. “As pessoas sentem um medo diferente. Dessa vez, a liberdade de imprensa e de expressão que foi atacada. As pessoas querem gritar, mas sentem que devem ficar caladas. Agora vão ter medo de falar. Foi uma ação premeditada, como um aviso”, conta Juliàn. Após o ataque, ele relata que o sentimento entre as pessoas que estavam próximas ao local era de muita tristeza e consternação. “Tinha muita gente chorando, todos estavam muito emocionados. Vimos vários corpos saindo do prédio e entrando na ambulância. Foi tudo muito impactante. A polícia gritava para todos voltarem para casa. Sentimos medo e revolta”. Temores. Francês, mas filho de pais uruguaios, Juliàn teme pela sua segurança e de sua mãe após os atentados. Ele acredita que o ataque pode aumentar a xenofobia no país, além de dar mais espaço para a extrema direita. “A França tem muita história com os países árabes. Tem muitos árabes aqui. Agora os franceses vão ter medo. E a direita extremista é contra todos os estrangeiros. Se eles ganharem nas eleições, vão querer todos os estrangeiros fora do país. Temo pela minha mãe, que é do Uruguai. Ela também está com medo”, explica Juliàn.

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