Investimentos podem ser alvo de corte posteriormente, sinaliza Barbosa

Ajuste em questão foi divulgado nesta quinta em decreto presidencial, que determinou corte de um terço nas despesas não obrigatórias dos ministérios, ou seja, R$ 1,9 bilhão por mês, de acordo com as previsões para o ano

iG Minas Gerais |

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou nesta quinta-feira (8) que os investimentos não foram atingidos no corte de gastos divulgado nesta quinta-feira pelo governo, mas que serão objeto de análise posterior, depois que o orçamento de 2015 for aprovado pelo Congresso, o que deve acontecer em março.

Barbosa afirmou que o corte foi uma "redução preventiva", motivada pelas incertezas sobre a evolução da economia. "É adequado que comecemos o ano com redução preliminar, enquanto o Congresso não aprova o orçamento", disse à jornalista Miriam Leitão, em entrevista transmitida na noite desta quinta (8).

O ajuste em questão foi divulgado nesta quinta em decreto presidencial, que determinou corte de um terço nas despesas não obrigatórias dos ministérios, ou seja, R$ 1,9 bilhão por mês, de acordo com as previsões para o ano.

Os cortes fazem parte do esforço do governo em equilibrar as contas públicas, ao lado de medidas como novas condições de crédito do BNDES, redução de subsídios do banco público e mudanças na concessão de benefícios, como pensão por morte, seguro-desemprego e abono salarial que, nas contas do governo, vão gerar uma economia de R$ 18 bilhões.

A meta do governo é de poupar este ano R$ 66,3 bilhões para pagamento de juros da dívida, o que não deve ser alterado, disse Barbosa. Em 2014, é possível que essa conta tenha ficado no vermelho.

Setor elétrico

Barbosa afirmou que não há decisão tomada sobre o empréstimo de R$ 2,5 bilhões que os bancos públicos possivelmente darão às distribuidoras, para cobrir o rombo de novembro e dezembro.

Ele afirmou que há necessidade de saldar as contas dessas empresas, e que está sendo avaliada uma solução "sem onerar o Tesouro". "Há formas de fazer isso, mas não há decisão tomada", disse.

Além de demonstrar preocupação com problema de caixa imediato das distribuidoras, Barbosa indicou ser necessária uma solução "permanente" para o sistema, que dê mais previsibilidade ao setor elétrico.

Mesmo depois dos empréstimos de R$ 17,8 bilhões concedidos por bancos públicos e privados no ano passado, e de repasses do Tesouro, as distribuidoras de energia estão sem dinheiro para honrar seus contratos.

A crise é causada pela escassez de chuvas, que secou os reservatórios das hidrelétricas e forçou o acionamento de mais térmicas, e o preço elevado da energia no mercado de curto prazo.

"Por mais restritivo ou inflacionário que possa ser no curto prazo o realinhamento de preços, é benéfico no longo prazo. A economia vai reagir e promover investimentos", defendeu.

Segundo Barbosa, o custo deve ser transferido para os consumidores, nas tarifas, e que é preciso investir em formas alternativas de energia.

Salário mínimo

Barbosa reforçou que a regra atual do reajuste do salário mínimo -que leva em conta o crescimento do PIB de dois anos atrás mais a inflação do ano anterior- deve ser mantido, e que sua fala inicial sobre o assunto "gerou ruídos".

Em sua primeira entrevista depois de assumir a pasta, ele sinalizou que a regra do cálculo poderia ser mudada. No dia seguinte, de férias na Bahia, a presidente Dilma desmentiu a fala e orientou o ministro a soltar uma nota recuando de sua declaração.

Como o crescimento do PIB de 2014 deverá ser próximo a zero, é possível que, pelas regras em vigor, o salário não tenha crescimento real, como defende o governo. Sobre essa possibilidade, Barbosa disse que "um ano ou outro isso pode acontecer", mas que no longo prazo o cálculo tem promovido crescimento "real substancial" do salário, que "tem contribuído para o crescimento da economia com a redução da desigualdade social".

No fim da entrevista, Barbosa defendeu que a economia brasileira é mais versátil do que as pessoas acreditam, e que vai dar mostras de recuperação no segundo semestre.

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