Chacina em sítio deixa quatro mortos e um ferido

Líder do tráfico de drogas na Vila Ideal, em Ibirité, foi um dos executados; segundo a Polícia Militar, local era usado com frequência para festas promovidas pelo traficante

iG Minas Gerais | Dayse Resende |


Terror. 

Dupla detida pela PM é suspeita de ordenar toque de recolher
AJL
Terror. Dupla detida pela PM é suspeita de ordenar toque de recolher

O fim de 2014 e o início de 2015 foram marcados por muita violência em Betim. Segundo a Polícia Civil, somente nos oito primeiros dias do ano, 12 pessoas já haviam sido assassinadas. Um dos crimes mais chocantes ocorreu na tarde da última terça-feira (6), no bairro Estância do Sereno, quando uma chacina deixou quatro mortos e um ferido em um sítio.

Entre as vítimas está Vitor Dias de Souza Tomás, 27, o Vitinho, apontado pela polícia como um líder do tráfico na Vila Ideal, em Ibirité. O crime pode estar ligado a disputa por áreas de tráfico de drogas.

Segundo informações da Polícia Militar, o crime ocorreu por volta das 16h, enquanto era realizada uma festa no local. A perícia acredita que um grupo tenha invadido o espaço já com os alvos definidos. Vitinho foi atingido por 21 disparos, e o menor E.P.O, de 17 anos, por três tiros.

As outras três vítimas foram transportadas em um carro até o Hospital de Ibirité, mas duas delas já chegaram mortas. A terceira vítima levou um tiro na mão. Um carro com perfurações por balas foi abandonado na entrada da Vila Ideal e foi encontrado pela PM no início da noite de terça (6). Acredita-se que esse tenha sido o veículo usado para socorrer os baleados.

No sítio foram encontradas munições de calibre .45, 9 milímetros e 380. O local era usado todas as terças-feiras para festas promovidas pelo suposto traficante. Após o tiroteio, todos os participantes fugiram do local. A polícia ainda busca esclarecer como ocorreu a chacina. Segundo uma testemunha, toda terça-feira Vitinho fazia festas no sítio, só que desta vez ele havia chegado mais cedo. “Na hora do ocorrido, havia umas 15 pessoas perto da piscina fazendo um churrasco”, disse.

O caseiro do sítio e o dono do imóvel não se pronunciaram sobre o ocorrido. Já na quarta-feira (7), um dia após a chacina, o comércio de Ibirité foi obrigado a amanhecer de portas fechadas. De acordo com a PM, a ordem teria sido dada por traficantes da região que, até então, seriam liderados por Vitinho. Toque de recolher

Após receber a denúncia do acontecimento, a PM foi até a avenida comercial do bairro, a Pau Brasil, e prendeu dois suspeitos da ameaça em flagrante. “Eles possuem idades de 20 e 21 anos e, no momento da prisão, estavam ameaçando funcionários de uma padaria do local”, disse o soldado Wellington Silva.

Diante da situação, a PM reforçou o policiamento no local com mais seis viaturas e também contou com o apoio de militares do Batalhão de Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam). “O negócio não foi brincadeira. Chegaram e ordenaram, e a gente sabe que ordem assim ou se cumpre ou pode ter uma punição grande depois. Quem garante que, depois que a polícia sair daqui, algo não pode acontecer com quem abriu as portas?”, contou um comerciante que preferiu não abrir seu estabelecimento.

Segundo o tenente Márcio Fidelis, do 48ª Batalhão, a PM continuará reforçando o local até que os ânimos se acalmem. Para ele, a morte de Vitinho foi um duro golpe para o tráfico de drogas. “Ele era o líder aqui e controlava seus comparsas, além também de ser uma espécie de justiceiro”.

A delegada da Homicídios Mônica Perpétua informou que a motivação do crime pode ser o tráfico de drogas. Ela também falou sobre a violência neste início de ano. “Em oito dias, já temos oito homicídios, além da chacina. É um começo de ano atípico”. (Com Jhonny Cazetta)

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