Cherif Kouachi, jihadista muito conhecido do antiterrorismo francês

Os dois ficaram sob os cuidados dos serviços sociais entre 1994 e 2000 em um centro educacional da França

iG Minas Gerais | AFP |

Cherif Kouachi, de 32 anos,  é um dos suspeito procurado pela polícia francesa por envolvimento em  ataque ao jornal  Charlie Hebdo
AFP PHOTO / FRENCH POLICE
Cherif Kouachi, de 32 anos, é um dos suspeito procurado pela polícia francesa por envolvimento em ataque ao jornal Charlie Hebdo

O francês Cherif Kouachi, de 32 anos, procurado juntamente com o irmão Said, de 34, pelo ataque que deixou 12 mortos na revista Charlie Hebdo, é um jihadista muito conhecido pelos serviços antiterroristas franceses, condenado em 2008 por participar de uma rede de recrutamento de combatentes para o Iraque.

Os dois ficaram sob os cuidados dos serviços sociais entre 1994 e 2000 em um centro educacional da França.

"Os serviços sociais de Paris nos confiaram os dois irmãos porque viviam em uma família vulnerável", explicou ao jornal La Montagne o chefe do centro Patrick Fournier, acrescentando que, na época, os dois estavam "perfeitamente integrados e jamais apresentaram problemas de conduta".

"Said tirou diploma em hotelaria quando estava aqui e Cherif fez um curso de eletrotécnica", acrescentou.

Nascido em 28 de novembro de 1982 em Paris, de nacionalidade francesa e apelidado de Abu Isen, Cherif Kouachi integra a chamada "rede de Buttes-Chaumont".

Sob a autoridade do "emir" Farid Benyettu, esta rede permitia enviar jihadistas para incorporá-los ao braço iraquiano da Al-Qaeda, então dirigida por Abu Mussab al Zarkaui.

Detido pouco antes de viajar à Síria e dali ao Iraque, Cherif foi julgado em 2008 e condenado a três anos de prisão, com 18 meses sob liberdade condicional.

Dois meses depois, seu nome apareceu em um plano de fuga da prisão do combatente islamita Smain Ait Ali Belkacem, membro do Grupo Islâmico Armado Argelino (GIA), condenado em 2002 à prisão perpétua pelo atentado que deixou 30 feridos na estação Museu de Orsay de Paris, em outubro de 1995.

Em 2010, seu nome apareceu em um projeto de tentativa de fuga da prisão de um islamita, Smain Ait Ali Belkacem, ex-membro do Grupo Islâmico Armado argelino (GIA), condenado em  2002 à prisão perpétua por cometer um atentado que deixou 30 feridos em Paris, em 1995.

Indiciado neste caso, acabou absolvido.

Sobre Cherif Kouachi também pesava a suspeita de ser ligado a outra figura do Islã radical francês, Djamel Beghal, que passou dez anos na prisão por preparar atentados.

Cherif Kouachi era suspeito de participar em treinamentos com Djamel Beghal.

Suposto cúmplice detido

Com cabeça raspada e barbicha rala na foto divulgada na madrugada desta quinta-feira pela polícia, Cherif Kouachi pode "estar armado e ser perigoso", assim como seu irmão Said, nascido em 7 de setembro de 1980, também em Paris.

Este último, também de nacionalidade francesa, aparece na foto policial com olhos castanhos, cabelo curto castanho e barba.

Os dois irmãos são suspeitos de ter cometido o massacre na Charlie Hebdo, que deixou 12 mortos e 11 feridos na manhã de quarta-feira. A carteira de identidade de um dos dois homens foi encontrada em um carro abandonado pelos foragidos no nordeste de Paris.

O suposto cúmplice dos dois irmãos, que se apresentou à polícia na noite de quarta-feira no nordeste da França, Mourad Hamyd, de 18 anos, é cunhado de Cherif Kouachi. É suspeito de ter ajudado os atiradores. Uma testemunha informou sobre a presença de um terceiro cúmplice no carro no momento da fuga dos agressores.

Hamyd se apresentou à polícia na cidade de Charleville-Mézières "ao ver que seu nome circulava nas redes sociais", explicou à AFP uma fonte próxima ao caso.

No entanto, internautas que se apresentaram como colegas de classe tuitaram anteriormente que Mourad Hamyd estava na aula com eles no momento do ataque.

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