Aécio defende Anastasia e diz que acusação é 'falsa e covarde'

Aécio disse, em nota, que o PSDB não vai permitir que "biografias honradas" se "confundam com a daqueles que vêm assaltando os cofres públicos do país"

iG Minas Gerais | Folhapress |


Tucano avalia que novo ministro da Fazenda enfrentará resistência
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Tucano avalia que novo ministro da Fazenda enfrentará resistência

Presidente do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) classificou nesta quinta-feira (8) de "falsa e covarde" a acusação de que o senador eleito Antonio Anastasia (PSDB-MG) foi citado na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que descobriu esquema de corrupção na Petrobras. Aécio disse, em nota, que o PSDB não vai permitir que "biografias honradas" se "confundam com a daqueles que vêm assaltando os cofres públicos do país". "Se o objetivo dessa farsa é intimidar e constranger a oposição, informamos que o efeito será justamente o contrário: o PSDB redobrará os esforços no sentido de continuar exigindo uma profunda e isenta investigação, que tenha como compromisso único revelar à população a verdade e os responsáveis pelo maior escândalo de corrupção na história do país, ocorrido ao longo dos últimos doze anos durante a administração do PT na Petrobras", afirma o tucano. Anastasia é afilhado político de Aécio e um dos tucanos mais próximos ao presidente do PSDB. Ele assumiu o governo de Minas Gerais, em 2010, quando Aécio deixou o cargo para disputar uma vaga ao Senado Federal.

Segundo Aécio, a acusação contra Anastasia não se "sustenta em pé" porque não há "nexo" na versão apresentada durante depoimento do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca. O policial disse que entregou R$ 1 milhão ao então candidato a governador de Minas a mando do doleiro Alberto Youssef em 2010. "Alguém acredita que um governador de Estado se reuniria pessoalmente numa garagem com um emissário desconhecido para receber dinheiro?", questiona Aécio na nota. O tucano disse que advogados de Anastasia vão solicitar o aprofundamento das investigações para mostrar o "absurdo dessas supostas afirmações". Na nota, o presidente do PSDB se refere ao mineiro como um senador de "caráter e honestidade pessoal, reconhecidos até mesmo por seus adversários políticos". Mais cedo, Anastasia também divulgou nota em que diz estar "indignado" com a acusação e pede que seja realizada acareação dele com o policial. ACUSAÇÃO Reportagem publicada nesta quinta pela Folha de S.Paulo afirma que o depoimento que faz menção ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na apuração da Operação Lava Jato traz um novo político para o rol de citados no caso: o senador eleito Antonio Anastasia (PSDB), ex-governador de Minas Gerais. A citação está sob análise na Justiça Federal do Paraná. Não foi encaminhada à Procuradoria Geral da República até agora porque Anastasia só recuperou o chamado foro privilegiado às vésperas do recesso judicial, quando foi diplomado senador. Já a citação a Cunha está com a Procuradoria, pois ele já era deputado à época do depoimento. A acusação foi apurada por investigadores, que concluíram ser necessário abrir um inquérito para detalhar se há de fato algo concreto contra o peemedebista. Políticos têm foro privilegiado e, por isso, só podem ser processados na área criminal por tribunais superiores. No depoimento de 18 de novembro passado, o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o "Careca", disse que entregou R$ 1 milhão ao então candidato a governador Anastasia a mando do doleiro Alberto Youssef em 2010. Na declaração, o policial afirma que levou o dinheiro a uma casa em Belo Horizonte e que Youssef tinha dito que o destinatário era o então candidato tucano, que se elegeu governador. "Tempos mais tarde, vendo os resultados eleitorais, identifiquei que o candidato que ganhou a eleição em Minas era a pessoa para quem eu levei o dinheiro." A polícia mostrou então uma foto do tucano. "A pessoa que aparece na fotografia é muito parecida com a que recebeu a mala enviada por Youssef, contendo dinheiro", disse ele. Youssef triangulava as operações investigadas envolvendo funcionários da Petrobras, empreiteiras contratadas pela estatal e políticos. Careca, diz a PF, era responsável por entregar dinheiro em espécie a pessoas indicadas pelo doleiro.

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