Atletas e dirigentes esportivos de luto após atentado em Paris

Antes do início da partida entre Lille e Evian, os jogadores fizeram um minuto de silêncio, e, em seguida, parte do público entoou o hino nacional francês

iG Minas Gerais | AFP |

Jogadores do Lille se reuniram no centro do gramado e ficaram em silêncio
AFP PHOTO / DENIS CHARLET
Jogadores do Lille se reuniram no centro do gramado e ficaram em silêncio

O mundo do esporte expressou nesta quarta-feira seus pêsames depois do atentato que matou 12 pessoas na redação da revista satírica Charlie Hebdo.

"É o 11 de setembro da imprensa", resumiu em entrevista à AFP Mourad Boudjellal, presidente do clube de Rúgbi de Toulon (RCT), e ex-presidente da editora Soleil Productions, que publicou vários livros de HQs dos chargistas Charb e Tignous, mortos no atentado. 

"Estou mais que transtornado, estou incrédulo. É aterrorizante. Eu também conhecia muito bem Cabu (outro chargista morto nesta quarta-feira), um cara que era a gentileza em pessoa. É inimaginável saber que morreu a tiros", lamentou.

Nas redes sociais, grandes nomes do esporte francês também mostraram-se chocados com a tragédia, retuitando a logo "Je suis Charlie", único conteúdo exibido durante o dia todo no site oficial da revista, que virou símbolo do repúdio ao ato terrorista em manifestações realizadas no país todo. Um deles foi Renaud Lavillénie, atual campeão olímpico e recordista mundial indoor de salto com vara.

"Este ato extremista vai reforçar o preconceito. As pessoas inteligentes podem ler o alcorão e perceber que não tem nada a ver com o que fez uma minoria", opinou Teddy Tamgho, campeão mundial de salto triplo.

"Somos todos Charlie, e a liberdade está sendo atacada. Como é possível ter atos tão horríveis", lamentou no Facebook Yohann Diniz, recordista mundial dos 50 km marcha atlética.

Bicampeão olímpico de biatlo, Martin Foucade publicou no Twitter uma foto da paisagem das montanhas de Oberhof, na Alemanha, onde está treinando, acompanhada da mensagem. "Estava tão quieto, hoje de manhã, no treino. Como o homem pode ser tão cruel? #JeSuisCharlie", publicou.

- Minuto de silêncio -

A primeira homenagem oficial do esporte francês ocorreu às 20h30 locais (17h30 de Brasília), antes do pontapé inicial da partida entre Lille e Evian. Foi respeitado um minuto de silêncio, e, em seguida, parte do público entoou, de forma espontânea, o hino nacional francês, a Marselhesa.

O protocolo será repetido nas partidas do fim de semana (de sexta-feira a domingo), válidas pela 20ª rodada da primeira divisão e pela 19ª rodada da segundona.

"Até onde vai o mundo? Meus pensamentos estão com as vítimas e suas famílias", publicou no Twitter Rio Mavuba, capitão do Lille, pouco antes de entrar em campo contra o Evian.

O truculento técnico Rolland Courbis, espécie de Joel Santana do futebol francês, que costuma fazer brincadeiras nas suas coletivas, estava com cara fechada quando se apresentou diante dos jornalistas. "Não estou no clima para brincadeiras, vocês podem imaginar o motivo. Vamos ser rápidos, por favor", declarou o treinador.

"Choque. Não sou político, nem religioso, nem jornalista. Somente francês, e chocado", reagiu Paul-Georges Ntep, atacante do Rennes.

Atletas estrangeiros também mostraram-se indignados. "Os fuzis podem reduzir os indivíduos ao silêncio, mas tornam o povo mais barulhento. Liberdade de Expressão! #JeSuisCharlie", postou Vincent Kompany, capitão da seleção belga e do Manchester City.

Leia tudo sobre: atentando em parischarles hebdoatletasfrançahomenagenslilleevian