Guerrinha irresponsável

iG Minas Gerais |

PT e PSDB começaram 2015 como terminaram o ano passado, com uma guerra não muito honesta com o único objetivo de desgaste partidário e de lideranças rivais, um ranço ainda da acalorada eleição de outubro último. Em Minas Gerais, a estratégia petista é clara e está em andamento desde a vitória de Fernando Pimentel (PT) sobre Pimenta da Veiga (PSDB). A ideia é mostrar um Estado completamente sucateado, inoperante e ineficiente deixado após 12 anos de administrações tucanas (oito anos de Aécio e quatro de Anastasia). Até agora o ápice dessa estratégia ocorreu logo na posse de Pimentel, no dia 1º de janeiro, quando o novo secretário de Planejamento e Gestão do Estado, Helvécio Magalhães, afirmou aos jornalistas não haver dinheiro em caixa para pagar o funcionalismo público. A notícia provocou tensão entre os servidores e só foi desmentida após parlamentares, agora da oposição, a pedido do ex-governador Alberto Pinto Coelho e do PSDB, demonstrarem haver dinheiro suficiente para honrar os vencimentos. Como a saúde financeira do governo de Minas realmente é ruim, a tática de desmontar o choque de gestão tucano e atingir, principalmente, Aécio Neves vai persistir e deve surtir certo efeito, pois muita coisa omitida nos últimos anos deve vir à tona. Em outras palavras, Pimentel e seu secretariado vão justificar por algum tempo qualquer paralisia na administração estadual como fruto da herança tucana à qual encontram. É uma meia verdade, pois, por outro lado, pela primeira vez um governador mineiro terá apoio integral do Palácio do Planalto para a realização de convênios e investimentos federais negligenciados no Estado. O contra-ataque tucano em Minas deve ocorrer na Assembleia, na qual deputados aliados a Aécio Neves prometem não aprovar a reforma administrativa proposta por Fernando Pimentel e também barrar futuras “correções” à proposta orçamentária aprovada na Casa, em 2014, ainda sob a gestão tucana. O resultado dessa ação, porém, não é certo, em razão de o novo governo contar, provavelmente, com a maioria na Casa. A única certeza é a improdutividade dessa briga entre os dois partidos. Pois, apesar de ataques mútuos e de uma diferença na origem ideológica das legendas, cada vez mais administrações tucanas e petistas têm se assemelhado. Vide os rumos anunciados pelo governo Dilma logo no início do seu segundo mandato. Em menos de uma semana, a presidente fez escolhas para seus ministérios e adotou ações na área econômica criticadas por ela mesma durante a campanha como sendo características negativas dos governos do PSDB. Todos já sabiam. O esquizofrênico ministério montado pela presidente Dilma – de caráter majoritariamente político e interesseiro – já dá os primeiros sinais de curto-circuito. Os ministros Patrus Ananias e Kátia Abreu bateram de frente logo ao tomarem posse. Enquanto ela diz não haver mais latifúndios no Brasil e trata a reforma agrária como algo pontual, restrito a um ou outro caso, ele promete avançar nas desapropriações e no uso social da terra. Pelo jeito, Kátia vai vencer a parada, pois foi colocada lá, justamente, para agradar à chamada “bancada ruralista” e facilitar a vida do governo no Congresso.

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