Crianças cariocas estão mais obesas do que as paulistanas

Pesquisa feita em comunidades nas duas capitais mostrou cenário preocupante no Rio de Janeiro

iG Minas Gerais |

 Somente 44% dos entrevistados cariocas estavam com peso adequado para a altura
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Somente 44% dos entrevistados cariocas estavam com peso adequado para a altura

Rio de Janeiro. Pesquisa de campo feita em outubro do ano passado em duas comunidades carentes das capitais de São Paulo e do Rio de Janeiro, pelo programa Meu Pratinho Saudável, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Fmusp), revelou que as crianças e os adolescentes cariocas estão mais obesos que os paulistanos. As comunidades visitadas foram Paraisópolis, em São Paulo, e Cidade de Deus, no Rio.

A nutricionista responsável pelo programa, Elisabete Almeida, destacou que o Ministério da Saúde classificou o Rio de Janeiro, em 2009, como a capital mais obesa do Sudeste brasileiro. “Agora, em nossa pesquisa, verificamos uma grande diferença, com cerca de 30% das crianças da comunidade de Paraisópolis acima do peso e 55,7% das crianças da comunidade de Cidade de Deus com sobrepeso”.

Segundo Elisabete, que coordenou a pesquisa, isso significa que metade das crianças da comunidade carioca está obesa. Pela pesquisa, a diferença de peso registrada pode ser explicada pelo fato de as crianças da comunidade da capital paulista fazerem mais atividades físicas do que as da Cidade de Deus, disse Elisabete. O estudo será ampliado neste ano para avaliar com maior profundidade o problema do sobrepeso entre as crianças do Rio.

Alimentação e exercícios. A pesquisa constatou que a alimentação nas duas comunidades é a mesma, com muita comida não saudável, como nuggets (pedaços de frango empanados), macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote, bolachas recheadas, comida pronta congelada, refrigerantes, achocolatados e sucos de caixinha.

“São todos alimentos que têm gordura saturada, muito sódio e muito açúcar. São todos alimentos que contribuem para o aumento de peso dessa população”, ressaltou a nutricionista.

De acordo com a pesquisa, 44,4% dos entrevistados no Rio de Janeiro foram considerados com peso adequado para a sua altura ante 70,2% em São Paulo. Todas as crianças e adolescentes passaram por pesagem e mediram altura e circunferência abdominal. Elizabete destacou que a medida da cintura, que alerta para risco cardíaco, indicou grande aumento tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro.

“No Rio, 80% das crianças estão com a medida da cintura abdominal elevada e, em São Paulo, 60%. Isso significa que, na cintura, já tem aquela gordura que chamamos de visceral, que é a gordura ruim, que provoca aumento do colesterol, que vai para dentro das artérias e se acumular.”

A metodologia do programa simplifica o entendimento das pessoas sobre o que deve ser colocado no prato, bem como a quantidade de alimento ideal, “seja ele de café da manhã, de almoço, jantar ou de lanche intermediário, que também é muito importante. As pessoas comerem a cada três ou quatro horas”. O Hospital das Clínicas da Fmusp é administrado pela Secretaria de Estado de São Paulo. Informações são da Agência Brasil.

Programa

Crianças. O programa Meu Pratinho Saudável foi lançado em 2012 em nível nacional, como uma metodologia para combater o excesso de peso da população infantil.

Droga já aprovada nos EUA pode combater a obesidade BOSTON, EUA. Um estudo publicado na revista “Cell Metabolism” descobriu que uma droga aprovada nos Estados Unidos para tratar a síndrome da bexiga hiperativa pode estimular o metabolismo da gordura marrom (que queima caloria em vez de armazená-la), tornando-se uma forte candidata para combater a obesidade. Doze homens participaram do estudo e receberam 200 mg da droga. Com isso, a taxa metabólica deles em descanso subiu em 203 calorias por dias. Todos eram jovens e saudáveis que nunca tinham tomado o medicamento. “Nós mostramos que a dose estimula o tecido, que pode consumir glicose e queimar calorias”, explica o autor do estudo, Aaron Cypess, do Beth Israel Deaconess Medical Center, afiliada da Escola Médica de Harvard.

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