Canto, riso e iconoclastia

“A Erudita” é um dos destaques entre as estreias de hoje na Campanha de Popularização Teatro e Dança

iG Minas Gerais | Luciana Romagnolli e Vinícius Lacerda |

Comédia. Em “A Erudita”, uma cantora descobre que não consegue cantar sem se mover e assim questiona padrões do universo lírico
Matheus Soriedem / divulgçaão
Comédia. Em “A Erudita”, uma cantora descobre que não consegue cantar sem se mover e assim questiona padrões do universo lírico

 

Num primeiro momento, a ideia de Priscila Cler era de montar um espetáculo em formato de recital para sua formatura em canto. Porém, mesmo com o apoio de seu professor, naquela época não teve coragem para apresentar “A Erudita”, musical que estreia hoje na Funarte, dentro da Campanha de Popularização Teatro e Dança. “Fiquei com medinho de mostrar e chocar muito a banca, e como estava quase jubilando, desisti”, conta a atriz e cantora, que acabou apenas interpretando as músicas.

Depois de formada, correu atrás da montagem utilizando o serviço de financiamento coletivo Catarse. Assim, a peça chegou aos palcos pela primeira vez em maio de 2014 mostrando o desejo da artista de explorar os pontos de encontro entre a música erudita e o movimento e, ao trilhar esse caminho, questionar tradições pertencentes à seara da música lírica.

O ponto de partida, tanto da peça quanto das indagações, começa com a descoberta da personagem principal – uma cantora, interpretada por Priscila – de que não consegue cantar sem se movimentar, ação que vai contra a postura costumeira de cantores desse segmento. “No universo da música erudita existe um rigor muito grande para que a música se destaque, sem que nada interfira. Prefiro tentar interpretar para mostrar mais ainda a música em vez de me anular para a música aparecer mais. Acho que isso não vai tirar a atenção, só vai somar. Mas no caso específico dos cantores líricos, a rigidez da postura é ruim. Sei que é uma opção, mas tudo que é rígido limita”, opina Priscila.

Embora tenha uma gênese iconoclasta, o musical é uma comédia guiada pela soprano e por outra atriz pianista. Durante os 50 minutos em que permanece no palco, Priscila interpreta sete canções do repertório de Mozart, Piazzolla, Debussy, Villa-Lobos, Fuhrer e Puccini explorando possibilidades diversas e irreverentes em suas interpretações.

“Cada música eu desenvolvo em cima de uma ideia que não necessariamente tem a ver com o contexto original da peça. Há árias de ópera que retiro totalmente do contexto em que foram escritas, trabalhando a cantora que quer se libertar. Assim, criam-se relações com a plateia e com a pianista. É uma cantora que não consegue conceber mais o canto desconectado do movimento”, complementa a atriz.

Em um segundo plano, “A Erudita” torna a música clássica mais acessível ao grande público, já que, como pondera Priscila, alguns motivos que afastam as pessoas de apresentações do segmento não estão presentes na peça. Segundo ela, falta de informação, preços altos e percepção de que os recitais são enfadonhos são as principais causas. “As pessoas têm essa ideia de que a música erudita é muito careta. No espetáculo, buscamos tirar essa seriedade toda. Além disso, A gente trata esse universo de forma mais bem-humorada, trazendo estímulo visual pela atriz no palco”, conclui Priscila.

Mais atrações. A data de hoje marca o dia em que outras peças também estreiam na Campanha de Popularização Teatro e Dança. Entre elas, está “Uma Comédia do Brasil: Uma Chanchada Nacional”, em que o ator Ederson Miranda interpreta ícones históricos que representam a formação do povo brasileiro.

Outra peça estreante é “Como Salvar Seu Casamento”. Estrelada por Chris Geburah, Josie Pacheco, Jeremias Hallel e Gustavo Marquezini, a peça mostra despretensiosamente questões do dia a dia que acontecem entre a relação de um homem e de uma mulher.

Abarcando o mesmo assunto, porém com foco temático contrário, começa hoje “Dez Maneiras Incríveis de Destruir Seu Casamento”, em que quatro atores revezam interpretando 31 personagens.

 

Programe-se

O quê. “A Erudita”

Quando. A partir de hoje até 25 de janeiro. Quinta a sábado, às 21h.

Domingos, às 20h.

Onde. Funarte (rua Januária, 68, Floresta)

Quanto. R$ 10 (inteira)

A classificação indicativa é 12 anos. Outras informações (31) 3272-7487.

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