Verão multifocal

9ª edição começa amanhã com 46 atrações até 12 de fevereiro

iG Minas Gerais | Luciana Romagnolli |

Filme. “O Lobo Atrás da Porta” foi pouco visto.
IMAGEM FILMES/ DIVULGAÇÃO
Filme. “O Lobo Atrás da Porta” foi pouco visto.

Na estação mais quente do ano, Belo Horizonte ferve com atrações culturais das mais diversas linguagens. Começa amanhã a 9ª edição do Verão Arte Contemporânea, ocupando 24 espaços da cidade com 46 atrações de teatro, dança, música, artes visuais, cinema, literatura, arquitetura, moda e gastronomia. A curadoria multifocal realizada pelo Grupo Oficcina Multimédia (GOM) aproxima estilos, calcada na qualidade e inventividade dos trabalhos. Um espaço privilegiado para o artista belo-horizontino em sintonia com questões éticas e estéticas do nosso tempo. Mas “sem definir uma estética do que seja o contemporâneo”, conforme diz Johnathan Horta Fortes, um dos curadores.

A abertura acontece amanhã, no Museu de Arte da Pampulha (MAP), exclusiva para convidados. Para o público em geral, a programação começa no sábado, com uma estreia. “Noturno”, novo espetáculo do Teatro Invertido, sobre a juventude da classe média, dirigido por Yara de Novaes e Mônica Ribeiro, entra em cartaz no Oi Futuro, às 21h. Mais para o fim do mês, o VAC apresenta outra estreia aguardada, o musical “Madame Satã”, produção do Oficinão 2014 sob a direção do veterano João das Neves, um dos fundadores do Grupo Opinião nos anos 1960 e responsável pelo bem-sucedido “Besouro, Cordão de Ouro”.

Ainda no teatro, fica a expectativa pela nova temporada de “Sarabanda”, parceria entre Grace Passô e Ricardo Alves Jr. a partir do filme de Ingmar Bergman, que havia feito curtíssima temporada colocando o público no palco do Grande Teatro do Palácio das Artes no ano passado e abusando das possibilidades verticais do espaço, e agora ocupará o Grande Teatro do Sesc Palladium, com Glaucia Vandeveld no papel de Mariana (antes interpretado por Rita Clemente). Novas temporadas de “Dente de Leão”, do Espanca!, “Maxilar Viril”, da Cia. Maldita, “Thácht”, do Armatrux, e o Janela de Dramaturgia completam as opções teatrais.

Na dança, convivem o contemporâneo, a performance, o clássico e o urbano. O Centro Cultural Banco do Brasil abriga uma batalha livre entre grupos, DJs, MCs e grafiteiros no Palco Hip Hop; enquanto a Cia. Fusion de Danças Urbanas envereda-se pelos meandros da cultura mineira com “Quando Efé”. Já Adriana Banana marca presença com a instalação “Memória”, um arquivo de lembranças de trabalhos antigos, a partir do dia 22, no Sesc Palladium. O VAC apresenta ainda trabalhos de Sérgio Penna (com “Rasante”), da Cia. de Dança Palácio das Artes (“brancoemMim”), da Cia. Sesc de Dança, entre outros.

Sons e cores. A programação musical é outra que atende a gostos distintos, do erudito ao popular, com direito a samba, funk, jazz e quarteto instrumental. O grupo Manobra, de Eduardo DW, com os ritmos brasileiros misturados ao rap no show “À Borda” (CCBB-BH, às 20h), e a percussão do grupo Desvio, em “Cancioneiro” (Memorial Minas Vale, as 15h), encontram o público já neste sábado. Nas próximas semanas, Ná Ozzetti será a convidada do Coletivo A.N.A.; a banda madame rrose Sélavy faz seu “Eletro Frevo Bossa Punk”, e o cantor e compositor Marcos Braccini mostra o repertório do seu primeiro disco solo em “Noturno”.

Nas artes visuais, o que chama a atenção são as ações de ocupação de espaços públicos. Entre 15 de janeiro e 12 de fevereiro, João Lelo fará um live painting “Tropikania”, no Projeto Parede do Sesc Palladium, criando um painel com figuras geométricas de animais. Eduardo Fonseca e o Coletivo Pópôcô já iniciaram os trabalhos com colagem no tapume do anexo da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, e Cesarmauricio vai interferir com seus recortes no corredor de vidro da mesma casa de leitura. Enquanto isso, o Verão no Ateliê abre os espaços criativos de Cesarmauricio e Leo Brizola.

Vale ainda acompanhar a VI Mostra de Cinema: Cultura, Arte e Poder, que se inicia no dia 16, no Sesc Palladium, e transfere-se para o Cine Humberto Mauro em fevereiro. Entre os destaques, está o longa “O Lobo atrás da Porta”, de Fernando Coimbra, com Milhem Cortaz e Leandra Leal no elenco, eleito como o melhor brasileiro de 2014 pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), e pouquíssimo exibido em Belo Horizonte. Entre os curtas, “Em Trânsito”, de Marcelo Pedroso, questiona a recente política pernambucana.

Toda essa pluralidade de linguagens estimula as trocas entre artistas de áreas distintas, mas estas não necessariamente se efetivam ainda. “O VAC foi criado com esse objetivo, de deslocar o pessoal do teatro, da música, da dança, que já faz suas experimentações, e ao circular e ver de perto (as outras artes) sentir uma atração e ver que não é impossível o diálogo. Não acontece muito ainda. Mas é uma tentativa, a gente está insistindo”, diz a curadora Ione de Medeiros.

Abertura

O tema da abertura do VAC 2015 é Flor e Cultura, em referência à tropicalidade brasileira. O paisagista e artista plástico Burle Marx, responsável pela criação dos jardins do MAP, será o homenageado,

Visual. A exposição do muralista Paulo Wernerck, contemporâneo de Oscar Niemeyer, atualmente em cartaz no MAP, foi incorporada à programação do evento.

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