Instalação de câmeras em táxis entra em debate

Deputado fará projeto visando obrigar colocação de aparelhos e reduzir assaltos

iG Minas Gerais | João Paulo Costa |

Ressalva. 
Mesmo com assaltos constantes, taxistas não querem pagar por câmeras de segurança
PEDRO GONTIJO / O TEMPO
Ressalva. Mesmo com assaltos constantes, taxistas não querem pagar por câmeras de segurança

Pelo menos cinco taxistas são assaltados todos os dias em Belo Horizonte e na região metropolitana da capital, de acordo com o Sindicato dos Taxistas de Minas Gerais (Sincavir). Na madrugada desta terça, em Ribeirão das Neves, mais um profissional foi assaltado  e, para tentar reduzir as estatísticas, deputados estaduais já defendem que esses veículos sejam monitorados por câmeras de vigilância 24 horas por dia. A colocação desse item de segurança como forma de inibir a ação dos bandidos é uma proposta do deputado estadual Alencar da Silveira Júnior. De acordo com a ideia, além da câmera, os táxis também poderão receber um “botão do pânico”, que acionará uma central caso o motorista seja abordado por criminosos. Ainda não está definido se as imagens serão monitoradas em tempo real ou se ficarão armazenadas para avaliação posterior. Os equipamentos têm um custo estimado de cerca de R$ 1.500 cada. Alencar da Silveira Júnior acredita que os gastos poderão ser incluídos nas tarifas e repassados aos passageiros. “Por ainda se tratar de uma avaliação prévia, não está definido qual a contrapartida do Estado e da categoria”, afirmou. A proposta será colocada no papel nas próximas semanas e deverá ser apresentada no início de fevereiro, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Análise. A entidade que representa a categoria afirma que apoiará o projeto do deputado, mas com ressalvas em relação aos gastos com a instalação. “Somos favoráveis desde que o governo venha suprir o custo”, disse o presidente do Sincavir, Ricardo Faedda. Luiz Henrique Eustáquio Poccechi, 66, taxista que faz ponto no bairro Serrano, na região Noroeste da capital, acredita que a medida não resolve a falta de segurança vivida pelos taxistas. “Só filmar não vai resolver. Acho que tem que haver mais blitz da polícia, não só para nós taxistas, que somos cobrados, mas para os passageiros também”, afirmou Poccechi. Para o professor e coordenador do centro de pesquisa em segurança da PUC Minas, Luís Flávio Sapori, a proposta é positiva, porém não há como o poder público assumir o ônus da medida. “Como solução tecnológica acho muito viável. A instalação inibirá com toda a certeza ações delituosas. No entanto, não vejo como o governo pode assumir esse custo, por se tratar de investimentos em propriedades privadas. Transformar essa ideia em projeto de lei me parece anacrônico”.

Referência Ideia. De acordo com o deputado Silveira Júnior, a ideia foi baseada em sistema já utilizado em outros países, como a Austrália, onde a criminalidade contra os taxistas foi reduzida em 99%.

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