Do cinema (com uma pausa no estúdio musical) para os palcos

Dibigode disponibiliza trilha composta para peça “Plano” e anuncia vídeo para meados de fevereiro

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |



Banda fez, pela primeira vez, músicas para uma peça de dança
Betto Fernandes
Banda fez, pela primeira vez, músicas para uma peça de dança

Quando os integrantes da banda Dibigode foram convocados por Gabriel Pederneiras a criar a trilha sonora para o próximo espetáculo que sua mulher, a coreógrafa Cassi Abranches, faria para a Cia Sesc de Dança, eles estavam imersos num estúdio em Macacos, trabalhando nas músicas de seu segundo álbum. Resolveram aceitar o convite e, durante os dois meses seguintes, trilharam por um caminho até então inexplorado por todos eles.

Até então, o grupo havia criado músicas para desfiles, como para a marca João Pimenta, utilizada em uma edição do São Paulo Fashion Week. Para um espetáculo, no entanto, seria a primeira vez. “Primeiramente, a Cassi nos deu liberdade total para criar, sem referência, nem nada. Ela só pediu para que as músicas tivessem contraste entre elas, explorando lugares diferentes. Mas, na verdade, tínhamos uma tela em branco”, comenta o baterista Tiago Eiras.

Sem saber muito bem qual eram os procedimentos para preencher essa tela, fizeram uma pesquisa e decidiram juntar as impressões sobre o longa “Holy Motors”, do francês Leos Carax. “Esse filme tem nove atos e traz reflexões sobre o próprio cinema e tem uma grande força estética. Daí conversamos e filosofamos muito sobre, e utilizamos nossas impressões como ponto de partida para a criação da trilha”, relata.

Assim, começaram a brotar as músicas dos seis atos da peça “Plano”, que estreou em setembro de 2014. “Nos encontramos com a Cassi três vezes apenas para mostrar esboços e para que ela visse o desenvolvimento. Nos preocupamos em fazer músicas que servissem como suporte para os dançarinos e não algo que sobressaísse mais que o espetáculos. Durante a criação fomos bem livres”, afirma o baterista.

Ainda durante a fase de estúdio, o grupo pôde concluir que a experiência foi muito gratificante ao explorar processos criativos atípicos para eles. “Nós fizemos muitas experimentações e trabalhamos bastante com sonoplastia, usando instrumentos como marimba de vidro, e outros recursos, como sintetizadores. E, por isso, mudamos também a formação da banda”, diz.

A trilha foi disponibilizada pelo grupo integralmente em seu site – www.dibigode.com – (tanto para ouvir por streaming quanto para download) e, em meados de fevereiro, também vão lançar um vídeo com a apresentação integral do espetáculo. “É um registro simples, mas importante para ver o resultado final”, adianta Eiras.

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