Temporada de comédia

Gestores públicos falam sobre desafios e perspectivas para o teatro na abertura da 41ª Campanha de Popularização

iG Minas Gerais | Luciana Romagnolli |

Faces. “A Hora do Brasil: uma Chanchada Nacional” investe nas tradições da comédia popular para rever a formação do povo brasileiro
Carrusca
Faces. “A Hora do Brasil: uma Chanchada Nacional” investe nas tradições da comédia popular para rever a formação do povo brasileiro

A temporada de comédias foi aberta ontem em Belo Horizonte e outras quatro cidades mineiras, com o início da 41ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança. Neste ano, dos 102 espetáculos para adultos, 69 são comédias, além de dois dramas cômicos e duas tragicomédias. A lista é farta em temas como adultério, desavenças de casal, sexualidade, manuais de comportamento e estereótipos repisados com mais ou menos inventividade. Não faltam “clássicos” da Campanha: “Como Sobreviver em Festas e Recepções com Buffet Escasso” e “Acredite, um Espírito Baixou em Mim”.

O presidente do Sinparc, Romulo Duque, brinca que “louco seria o VAC ter 30 comédias” – citando o Verão Arte Contemporânea, mostra de teatro e outras linguagens com caráter mais reflexivo, que começa na sexta-feira. “No teatro, no mundo, a comedia é mais numerosa”, diz Duque, defendendo o humor como “instrumento para chamar público”.

Para ele, o projeto Troca, com oito espetáculos em cartaz na Funarte-MG e no Centro Cultural Banco do Brasil, já cumpre a função de colocar em destaque produções de teatro de pesquisa, que antes “estavam abafadas” na programação.

No evento de abertura, realizado na manhã de ontem, na Funarte, Duque manifestou preocupação com os rumos da política cultural, embora demonstre esperança no novo governo. Segundo ele, não falta dinheiro para a cultura. “As leis de incentivo são o dispositivo mais importante do país, desde 1972 nunca vi tanto dinheiro circular no setor cultural. O questionável é a falta de gerenciamento para que chegue na mão de quem faz”, critica, citando eventos de outras espécies e projetos empresariais de cunho mais social do que artístico como destinatários de recursos públicos.

Angelo Oswaldo, secretário de Estado de Cultura recém-empossado, também presente na abertura, respondeu que “a tendência é de direcionamento dos recursos para fundos, a fim de equalizar com conselhos participativos” a distribuição dos recursos financeiros aos artistas relegados pelas empresas por terem menos potencial marqueteiro. “A vanguarda e a arte popular, os dois extremos”, cita. Fora isso, o secretário evitou falar de projetos, ainda ocupado em diagnosticar a situação da cultura em Minas herdada da gestão anterior, mas convidou os artistas ao diálogo e se colocou aberto a ouvir críticas.

Ao falar sobre a Campanha, o presidente da Fundação Municipal de Cultural, Leônidas de Oliveira, frisou a importância de estimular tanto temporadas teatrais fortes em outros períodos do ano quanto a produção local, para que “as pessoas possam conhecer o teatro de vanguarda de Belo Horizonte”.

Para isso, ele cogita a criação de uma minicampanha de inverno, a ser realizada nos meses de agosto nos dois teatros municipais reabertos recentemente, o Marília e o Francisco Nunes, que reforçam a listagem de espaços ocupados pela Campanha em 2015. “Estamos pensando, é um esboço”, diz, mencionando as possibilidades de um festival de comédias e de dança para cobrir “vácuos” do calendário na cidade. Há de se ver em que medida a vanguarda (inclusive do humor) terá vez.

Não perca. Entre as peças estreantes na 41ª Campanha, algumas produções merecem olhar mais atento do público. Ambas em cartaz a partir de amanhã, às 21h, na Funarte, “A Erudita” é o solo autoral da atriz e cantora Priscilla Cler, e a comédia “A Hora do Brasil: uma Chanchada Nacional”, de Ederson Miranda, percorre a história do Brasil pelo ponto de vista do povo.

Até março, os teatros ainda recebem o repertório da companhia Afeta; “Humor”, do Quatroloscinco; “Aqueles Dois” e “Prazer”, da Luna Lunera; “De Tempos Somos” e “Till – A Saga de um Heroi Torto”, do Grupo Galpão.

Números

A 41ª Campanha apresenta 161 espetáculos e espera um público de 400 mil espectadores. Entre eles: 10 espetáculos de dança

49 peças para crianças

69 comédias para adultos

13 dramas para adultos

9 musicais para adultos

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