Uma cabeça fascinada por vários ritmos

Com trajetória versátil, Túlio Mourão lança novo DVD e dá sequência ao projeto do Museu Clube da Esquina

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Plural. Em uma carreira diversificada, Túlio Mourão foi de Milton Nascimento a Mutantes
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Plural. Em uma carreira diversificada, Túlio Mourão foi de Milton Nascimento a Mutantes

Em mais de 40 anos de carreira, Túlio Mourão teve a coragem rara no mundo da música de não resumir sua criação a um nicho específico. Apesar de ter inclinação ao piano erudito desde criança, ele também se tornou nome de respeito das trilhas do cinema nacional, teve experiência com a psicodelia do rock’ n’ roll ao assumir os teclados dos Mutantes provisoriamente, e ainda foi parceiro de Lulu Santos quando a banda Vímana, com participação de Lobão e Richie, nem sonhava em existir. Isso sem contar todas as canjas em álbuns e shows de Maria Bethânia, Fagner, Jon Anderson, Caetano Veloso e, principalmente, na obra de Milton Nascimento, de quem integrou a banda durante 12 anos.

“Eu posso dizer que tive sorte e ao mesmo tempo uma cabeça para absorver tudo isso”, justifica Mourão. Ainda aos 12 anos, o compositor lembra que preferia assistir na TV ao programa “Fino da Bossa” do que estar antenado com o que Roberto e Erasmo estavam fazendo com o movimento conhecido como Jovem Guarda. Nem por isso ele se restringiu à MPB que começava a germinar nos anos 1960 ou simplesmente à influência do banquinho e violão de João Gilberto. Com o impulso de Sérgio Dias, dos Mutantes, ele teve a chance de fazer parte da história de uma das principais bandas da história do país. “Na época eu estava encaminhado para ter um conjunto com o Lulu (Santos). Fui apresentado ao Sérgio Dias pelo próprio Lulu. Lembro de termos feito sessões de música em casa, tudo fluiu muito bem. Quando vi, estava em São Paulo tocando com os Mutantes. Mas o Arnaldo (Baptista) não estava tão legal naquela época, depois da saída da Rita Lee. Por isso, fiquei pouco, mas o suficiente para absorver muito musicalmente, entender melhor o rock e a própria música”, relembra Mourão.

Projetos. Hoje em dia, o compositor e arranjador mineiro continua experimentando novas linguagens e alçando voos distintos. Um dos seus principais projetos em atividade é a divulgação do DVD “Teias”, em parceria com o pupilo de São João del Rei, Rafa Castro, 26. Juntos, os dois músicos unem gerações distintas para trazer ao mercado fonográfico um registro raro com dois pianos de cauda interpretando – e improvisando, claro – em cima de canções autorais de Rafa Castro, além de releituras de Milton Nascimento, Tom Jobim, Caetano Veloso, Dorival Caymmi, Lô Borges e Noel Rosa.

“É um projeto bonito porque unimos dois pianos com timbres similares, mas fazendo coisas diferentes. Isso não é comum na música brasileira, então estamos apostando em uma novidade mesmo”, diz Mourão, que prepara shows ao lado do ex-aluno ainda para este ano. “Vou ter que conciliar esses shows com o ‘Come Together’ e também com o trabalho que faço na Orquestra Jovem de Divinópolis”, completa o músico.

Além disso, Túlio Mourão está à frente do projeto para tirar definitivamente do papel o Museu Clube da Esquina – Centro de Referência da Música de Minas, que será integrado ao Circuito Cultural Praça da Liberdade, no prédio onde funciona o Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas). Com várias previsões atrasadas para a inauguração, a expectativa é que o projeto fique pronto em 2017. Nesta semana, o músico terá uma reunião com a nova cúpula da Secretaria de Estado de Cultura para dar andamento aos procedimentos. “As coisas estavam meio paradas, porque esperamos a mudança de governo, mas a partir desta semana teremos novidades”, adianta.

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