Sem orientação, mães deixam de checar o coração dos fetos

Cardiopatia congênita pode ser diagnosticada ainda na gravidez, aumentando sucesso do tratamento

iG Minas Gerais | Johnatan Castro |

Um em cada cem bebês nascidos vivos no Brasil tem cardiopatia congênita, a terceira maior causa de mortes de crianças no país – cerca de 10% do total. Para aumentar as chances de sobrevivência dos recém-nascidos, o problema precisa ser identificado na gravidez. No entanto, o diagnóstico não é prática comum nos consultórios, e muitas mães nem sequer sabem que precisam estar atentas a possíveis más-formações cardíacas dos filhos, alerta a cardiologista e ecocardiografista pediátrica e fetal Tamara Katina.

Ela explica que o diagnóstico é simples, mas precisa ser feito por profissionais experientes. A má-formação cardíaca ou dos cromossomos pode ser identificada entre a 11ª e a 14ª semana de gestação, por ultrassom morfológico. Caso algum problema seja detectado, deve-se solicitar o ecocardiograma fetal.

“O ultrassom pré-natal é muito negligenciado. Quando a gente identifica precocemente (a cardiopatia), o sucesso do tratamento é muito maior. A partir da 24ª semana, o coração fetal tem que ser sistematicamente avaliado pelo médico que faz o ultrasson. A criança é encaminhada ao Centro de Tratamento Intensivo logo ao nascer, e é feita a cirurgia”, diz Tamara, que atua em três hospitais da capital.

A dona de casa Bárbara Camargos Frade, 31, descobriu ainda na gestação que o filho Heitor, hoje com 2 anos, tinha cardiopatia congênita. Uma alteração na formação do bebê foi vista em ultrassom morfológico, e o ecocardiograma fetal confirmou o diagnóstico. “Heitor passou pela primeira cirurgia com 72 horas de vida, teve parada cardíaca e precisou de transfusão de sangue. Foi tenso, mas deu certo. Com 1 ano e 2 meses, ele fez outra, que foi muito bem. Mas foram paliativos, e meu filho toma dois remédios diários. Quando ele tiver 5 anos, fará a (cirurgia) corretiva e terá vida normal”, explica.

Risco. A cardiopatia congênita se desenvolve sem associação de fatores de risco em 90% dos casos, mas médicos devem considerar a presença desses agravantes na hora de solicitar um ecocardiograma fetal. Entre os fatores que podem elevar as chances do problema estão presença de cardiopatias em gestações anteriores, nos pais ou em parentes dos bebês; casos em que a grávida consuma álcool, tome antidepressivos e anticonvulsivos ou tenha rubéola, diabetes ou lúpus.

“Quando a cardiopatia congênita não é diagnosticada, a chance de o bebê chegar a uma idade avançada é muito pequena. Com a cirurgia, a chance de a criança viver é de 95%”, alerta a médica. (Com Vinicius Lacerda)

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