Auditoria aponta prejuízo de R$ 1 bi

Investigação mostra que estatal adquiriu equipamentos para complexo sem definir projeto

iG Minas Gerais |


Comperj só iniciará operação em 2016, mas já tem equipamentos
roberto rosa
Comperj só iniciará operação em 2016, mas já tem equipamentos

Brasília. Auditoria interna da Petrobras sobre o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) aponta que a estatal comprou equipamentos antes de definir o modelo de negócio e a estrutura de produção da refinaria, o que gerou um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão gastos para evitar a deterioração de aparelhos e unidades sem uso.

Parte do maquinário adquirido inclusive não será mais utilizada, e agora a Petrobras estuda se será possível aproveitar os equipamentos em outras unidades.

Na investigação, funcionários da Petrobras apontaram “pressões” das diretorias de Serviços e Abastecimento da estatal, então chefiadas, respectivamente, por Renato Duque e Paulo Roberto Costa, investigados na operação Lava Jato, para acelerar as aquisições e obras do Comperj.

A apuração também apontou irregularidade na maior contratação citada no relatório, no valor de R$ 3,8 bilhões, feita pela Petrobras sem concorrência pública com o consórcio TUC, formado pelas empresas Odebrecht, UTC e Toyo.

Essas empreiteiras são alvo da Lava Jato pela suposta formação de cartel e foram incluídas pela Petrobras em lista de empresas temporariamente impedidas de contratar com a estatal. A comissão da Petrobras enviou o relatório para a força-tarefa da Lava Jato em dezembro.

A auditoria apontou que as compras de equipamentos e obras de unidades começaram em abril de 2010, “enquanto ainda era discutido o modelo de negócios para as utilidades e para a unidade de geração de hidrogênio, essenciais para a entrada em operação da refinaria”.

A estatal prevê que o Comperj comece a produzir em 2016. Para preservar os equipamentos adquiridos e ainda sem uso, a estatal gastou mais de R$ 1 bilhão.

A comissão relatou que na apuração “logo atraíram a atenção os relatos de pressões por prazo à área de Engenharia” pelas diretorias chefiadas por Duque e Costa.

Tal fato levou ao descompasso entre as contratações e as reais necessidades de cada fase do projeto.

A contratação sem concorrência pública do consórcio TUC foi para a implantação das unidades de geração de vapor e energia, tratamento de água e efluentes do Comperj. A investigação apontou irregularidade no fato de a contratação direta ter sido feita sob a justificativa de urgência, quando ainda havia indefinição sobre os prazos de conclusão da refinaria.

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