Bolsas caem com ameaça de saída da Grécia da zona do euro

o governo alemão considera "praticamente inevitável" que a Grécia deixe a zona do euro

iG Minas Gerais | AFP |

Em ilhas gregas como Mikonos, por exemplo, o visitante pode se encantar com a arquitetura local
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Em ilhas gregas como Mikonos, por exemplo, o visitante pode se encantar com a arquitetura local

A ameaça de uma saída da Grécia da zona do euro, levantada pela Alemanha vinte dias antes das eleições legislativa gregas, impactou negativamente as bolsas nesta segunda-feira, apesar de a Comissão Europeia ter excluído essa possibilidade.

O cenário de uma "Grexit", temida no auge da crise há dois anos e nas eleições legislativas gregas de 2012, voltou à tona no último sábado na revista alemã Der Spiegel.

Segundo a revista, o governo alemão considera "praticamente inevitável" que a Grécia deixe a zona do euro, caso o partido de esquerda Syriza ganhe as eleições legislativas de 25 de janeiro e decida abandonar a política de austeridade, deixando de reembolsar a dívida do país.

As bolsas refletiram nesta segunda-feira a preocupação e registraram quedas significativas: Paris caiu 3,31%, Milão, 4,92%; Madri, 3,45%; Frankfurt, 2,99% e Londres, 2%. A bolsa de Atenas teve queda de 5,63%, com o índice Athex abaixo dos 800 pontos.

A ameaça da saída da Grécia da zona do euro também está relacionada ao primeiro-ministro grego e chefe da direita, Antonis Samaras, que na eleição anterior ganhou do Syriza.

"A permanência do país na zona do euro está em jogo nas eleições", lembrou Samaras na semana passada, um dia depois que o Parlamento fracassou em eleger um novo presidente, provocando a dissolução da câmara e a convocação de eleições antecipadas.

As informações da Spiegel geraram polêmica na Alemanha, onde foram interpretadas como uma forma de pressão sobre os eleitores gregos por parte da chanceler Angela Merkel e de seu ministro da Economia, Wolfgang Schäuble.

UM DILEMA?

Em uma tentativa de acalmar os ânimos, a Comissão Europeia garantiu nesta segunda-feira que a permanência do país na zona do euro é "irrevogável".

"Não vamos entrar em especulações", afirmou em Bruxelas uma das porta-vozes da Comissão Margaritis Schinas.

O Syriza ficou satisfeito com a declaração da Comissão e lembrou que o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, disse que não haverá cisão na zona do euro.

O líder do partido, Alexis Tsipras, considera que este perigo só é levantada por uma "pequena minoria", entre eles a "liderança conservadora do governo alemão e a imprensa populista".

Já o presidente francês, François Hollande, declarou que os gregos "são livres para escolher soberanamente seus governantes". Em relação à zona do euro, "a decisão corresponde somente à Grécia", insistiu.

Embora os analistas não acreditem na saída da Grécia da zona do euro devido à melhora das contas públicas do país, os mercados temem que sejam suspensas as reformas baseadas na política de austeridade, ditada pela União Europeia e pelo FMI, que deram ao país 240 bilhões de euros em créditos.

Após cinco anos de medidas draconianas de austeridade que provocaram a explosão do desemprego, os gregos, sobretudo os pró-europeus, não hesitam em manifestar seu cansaço em relação ao dilema.

"Não acho que sairemos da zona do euro, mas de qualquer forma, com ou sem euro, nossa vida é miserável", resumiu Efthyhia, moradora de Atenas.

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