Empossado, Kassab diz que apoiar também é "divergir construtivamente"

A indicação do ex-prefeito paulistano gerou desgaste em setores do PMDB que interpretaram no gesto um movimento para tentar enfraquecer o partido no Congresso

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Kassab é condenado à perda dos direitos políticos por três anos
Kassab é condenado à perda dos direitos políticos por três anos

Ao assumir o Ministério das Cidades, o ministro Gilberto Kassab fez um discurso nesta segunda-feira (5) destacando a "legitimidade" da reeleição da presidente Dilma Rousseff e prometendo o apoio de seu partido, o PSD, para a governabilidade. Kassab, porém, afirmou que "apoiar também é divergir construtivamente".

A indicação de Kassab gerou desgaste em setores do PMDB que interpretaram no gesto um movimento para tentar enfraquecer o partido no Congresso junto com a escolha de Cid Gomes (Pros) para comandar a Educação. O ex-prefeito de São Paulo é apontado como um dos principais incentivadores da recriação do PL.

Kassab desconversou sobre as articulações sobre a base aliada no Congresso e disse que esse tema agora é tratado pelos líderes do PSD no Legislativo. Ele repassou a presidência da sigla para o deputado Guilherme Campos (SP).

"Não articulo nada. A partir de hoje, eu sou ministro das Cidades, essa é a minha função, essa é minha responsabilidade."

"PSD está no seu governo [Dilma], portamos nós estamos para ajudá-la, porque nós disputamos as eleições juntos e vamos governar juntos sob o seu comando", completou.

Em seu discurso, o novo ministro fez um aceno aos movimentos sociais e ao Conselho das Cidades, que mostraram contrariedade com sua ida para o ministério.

"Eu quero aqui fazer um destaque especial para a participação dos movimentos sociais, que através do diálogo, sugestões, reivindicações e criticas nos ajudam a melhorar obras e projetos", sustentou. Kassab afirmou que as prioridades da pasta continuam sendo construir projetos e executar obras de mais 3 milhões de moradias, questão de saneamento, mobilidade, desenvolvimento urbano.

Ele destacou a participação ativa no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) 3 com investimentos, em logística, energia infraestrutura e parcerias privadas.

Kassab é o segundo novo integrante do primeiro escalão petista a falar em parcerias privadas. Em entrevista à Folha de S.Paulo, a ministra Kátia Abreu (Agricultura) defendeu privatizações.

O ministro afirmou que este é um ano com "rearranjos na economia e contenção de despesas", mas desconversou sobre eventuais cortes em sua gestão. "Quem definirá cortes, se acontecerão ou não, é a presidente. O governo tem comando. O comando é da presidente. O que eu disse é que por mais que possamos ter cortes, existem prioridades nesse governo muito bem definidas pela presidente Dilma.

Kassab disse que fará mudanças em sua equipe, mas sem pressa. Ele não indicou quais trocas serão realizadas. Os comandos da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A. (Trensurb) e a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) são cotados para serem trocados.

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