Projeto Green House muda conceito de lar para idoso e faz sucesso

Criador de modelo faz críticas à ‘medicalização’ da velhice, tratada como um a doença sem cura

iG Minas Gerais | Jane E. Brody |

Resultado na saúde das pessoas mais velhas é quase imediato
Lisa F. Young/Life Science
Resultado na saúde das pessoas mais velhas é quase imediato

Nova York, EUA. Séculos atrás, quando as pessoas envelheciam, ficavam nas casas de parentes mais jovens até morrerem. Esse hábito comum começou a mudar com a Revolução Industrial, quando as mulheres, que eram as principais cuidadoras dos idosos, começaram a trabalhar fora de casa.

O que acontece agora quando os familiares não podem tomar conta deles e esse tipo de cuidado é muito caro ou não é mais adequado para aqueles com incapacitações físicas ou mentais avançadas? Para os que não possuem recursos financeiros para pagar cuidados profissionais em casa, seria o ambiente frio e quase hospitalar dos asilos a única opção?

Não se você perguntar ao Dr. Bill Thomas, geriatra formado em Harvard que ajudou a criar o projeto Green House, um novo modelo de cuidado de longa duração, com um nome que sugere um ambiente estimulante e onde os mais velhos e mais frágeis possam se desenvolver. Ele foi fundado em 2003 por Thomas e Steve McAlilly, do Mississippi Methodist Senior Services. Os moradores do Green House, financiado por programas de saúde pública do governo norte-americano ou por fundos privados, vivem em casas com quartos e banheiros privativos. Participam, quando podem, no preparo das refeições e comem em um ambiente comum que mais se parece com uma sala de jantar residencial do que com um refeitório.

Já existem 167 modelos nos Estados Unidos e 1.735 pessoas vivendo neles, em um ambiente alegre e que respeita suas necessidades e desejos.

“Ninguém quer viver em uma casa de repouso, mas se você chegar aos 65 anos tem 50% mais chances de passar um bom tempo em uma”, afirma Thomas no novo documentário “Homes on the Range”. Atualmente um 1,5 milhão de norte-americanos vivem em lares de idosos, onde são muitas vezes tratados mais como pacientes do que como residentes. E, apesar de estarem se expandindo, são poucas as pessoas que querem viver neles e os familiares que preferem colocar os parentes em uma dessas instituições. A crença comum é que são lugares deprimentes para onde as pessoas vão para morrer.

A Fundação Robert Wood Johnson, que forneceu subsídios para o projeto, considera o conceito da Green House um modelo que pode ser “catalisador de uma mudança social significativa” por causa do modo com que os mais velhos são tratados no país. Mesmo que o projeto da Green House não seja perfeito, demonstra a inegável importância de se começar do zero para criar uma abordagem nova e menos institucional, que melhore a assistência.

Um trabalho de meio período em um lar quando tinha 30 anos convenceu Thomas, agora com 55 e morando em Ithaca, Nova York, que tinha que haver outra maneira de cuidar dos idosos tão frágeis. “Fiquei impressionado com a enorme solidão das pessoas que viviam lá”, ele disse em uma entrevista.

Thomas lamenta o que chama de “a medicalização da terceira idade” – o tratamento do envelhecimento como uma doença para a qual não existe cura, com cuidados médicos geralmente fornecidos em um ambiente deprimente.

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