Um ano de palcos cheios

Foo Fighters, Kiss e Slash são alguns dos nomes que tocam em BH neste ano; Brasil recebe Robert Plant, Ringo Star e Jack White

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Estreia. O vocalista Dave Grohl vai comandar o Foo Fighters no primeiro show da banda em BH
foo fighters oficial/divulgação
Estreia. O vocalista Dave Grohl vai comandar o Foo Fighters no primeiro show da banda em BH

Para quem viu o primeiro Rock in Rio de perto, alucinado com Queen, AC/DC e Iron Maiden entre alguns dos headliners internacionais daquele 1985, não precisa mais ter saudosismo daquela época de ouro. Isso porque há cerca de cinco anos alguns dos maiores artistas gringos resolveram bater ponto num roteiro focado principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte. 2015 mal começou e a capital mineira já tem em seu calendário a presença de Slash, Kiss e Foo Fighters no primeiro semestre. Isso sem contar nomes como Ringo Star, Robert Plant, Jack White e Pharrell Williams que também fazem shows em terras tupiniquins a partir de fevereiro, enquanto a possível vinda dos Rolling Stones poderia coroar um ano pra lá de efervescente no país.  

A partir de janeiro, pelo menos 15 nomes de peso desembarcam no Brasil (veja arte). Isso sem contar o festival Lollapalooza, que vai reunir 50 grandes artistas em março, em São Paulo, e o Rock in Rio, que terá lineup de aproximadamente 25 atrações no Rio de Janeiro, em setembro.

O crítico musical Mauro Ferreira analisa dois pontos fundamentais para o cenário atual: bandas caminhando para o fim de carreira que ampliam seu leque de shows em outros países, somado a uma visibilidade que o Brasil ganhou principalmente após a segunda catártica visita de Sir Paul McCartney, em 2010. “O Paul fez do país uma vitrine nova para grandes shows, se ele toca aqui, o Kiss vai querer voltar depois de 20 anos. Afetou positivamente até o Rock in Rio, que sempre foi a referência para os mega shows”, avalia.

Logo de cara, o Foo Fighters vai marcar a história da capital ao se apresentar pela primeira vez na cidade, em um show que deve reunir 40 mil pessoas na Esplanada do Mineirão, no dia 28 de janeiro – a exemplo do que aconteceu com as visitas inéditas da banda Linkin Park, em outubro do ano passado, e com o Black Sabath, em novembro de 2013. Antes de desembarcar na cidade, Dave Grohl e a banda formada por Nate Mendel (baixo), Taylor Hawkins (bateria), Pat Smear (guitarra) e Chris Shiflett (guitarra) passam por Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro.

A escolha da capital para receber o Foo Fighters foi criteriosa, segundo Alexandre Farias, diretor de shows da T4F, que também vai promover as apresentações de Joss Stone, Sublime With Rome, Capital Cities, além do festival Lollapalooza. Segundo ele, uma pesquisa de opinião da empresa constatou que a capital mineira tinha uma demanda superior de público para ver Dave Grohl e companhia.

“A gente tinha outras cidades em mente. Salvador, Recife e Brasília têm potencial para shows e por lá pode ter certeza que vão acontecer coisas. Mas o clima de BH, a proximidade com Rio e Sampa, além da pesquisa que fizemos de público local que iria ver a banda – sem contar quem viaja de outros estados, claro –, contribuíram para esta decisão. E será uma mega estrutura com três palcos, sendo o principal com 480 metros quadrados e outros dois que vão se conectar a este, além de uma passarela de 50 metros para a banda chegar ao público. Isso nunca foi montado aí” diz Farias.

Demanda e oferta. Outra mega estrutura inédita na capital mineira será a do show do Kiss, na Arena Independência, no dia 23 de abril. A confirmação de que Paul Stanley, Gene Simmons, Eric Singer e Tommy Thayer chegariam à cidade, antecipada por O TEMPO, gerou ansiedade e caos nas redes sociais antes mesmo do início da venda de ingressos, prevista para começar nesta segunda. O produtor Gegê Lara, da Nó de Rosa, diz que será um show digno de “entrar para a história”, a exemplo da épica apresentação do Kiss no Mineirão, durante a turnê “Creatures Of The Night”, em 23 de junho de 1983.

Mesmo assim, nem por isso a escolha do lugar ideal para receber os quatro cavaleiros mascarados do Apocalipse foi simples. “A gente não tem enormes casas ou espaços como São Paulo. Tem que ser estádio mesmo nesse caso e nem sempre é fácil fechar data com o que o artista pode. No Mineirão não dava pelos jogos e campeonatos", pontua Lara. A mesma questão causou um abalo sísmico nas redes sociais para os fãs de Slash, ex-Guns N' Roses e considerado o segundo melhor guitarrista do mundo pela revista Time, atrás apenas de Jimi Hendrix.

Ele vai mostrar canções do seu terceiro disco solo, "World On Fire", no dia 25 de março, na Galopeira, reduto da música sertaneja na capital, antes mesmo do lançamento oficial do disco no Brasil, previsto pela Warner Music para chegar às lojas de todo o país em 27 de outubro. Questionada, a produtora Free Pass Entretenimento, responsável pelo show, não respondeu sobre os critérios para a escolha do lugar onde Slash tocará acompanhado da banda Miles Kennedy & The Conspirators.

Para o produtor Gegê Lara, assim como o Brasil, Belo Horizonte tem ofertas de sobra para grandes shows neste ano, mas além da dificuldade em escolher locais mais confortáveis e viáveis, também existe uma preocupação econômica. “Tem ofertas demais (para shows internacionais), mas a economia tem se manifestado de uma forma que pode prejudicar essa oferta. Vamos aguardar porque temos três atrações de encher estádio que ainda podem vir neste ano para BH”, completa, sem revelar as futuras negociações e especulações.

Calendário Shows. A programação completa de todos os shows internacionais que vão acontecer em Belo Horizonte e em várias cidades brasileiras durante 2015, incluindo as datas, os preços e os locais dos eventos, pode ser consultada no site: www.otempo.com.br

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