Felicidade, artigo de luxo?

iG Minas Gerais |

Se alguém, no meio de uma conversa um pouco mais séria e madura, te perguntasse o que significa felicidade, qual seria sua resposta sincera e imediata? Não vale frase feita, de livro de auto-ajuda, nem usar a banalidade que assola a humanidade. Insisto: o que te faz sentir feliz no dia a dia? Seria seu casamento, tendo a dádiva do seu cônjuge ser pessoa que estimula uma sensação de afinidade, prazer, companheirismo, completude? Seriam os filhos, inspiração para enfrentar as agruras do trabalho, da luta diária para trazer a eles a recompensa, partilhar as alegrias, transmitir os conhecimentos e valores que permita que um dia eles deem seus voos-solo, num ninho de afeto, respeito? Seria o trabalho, onde as habilidades e dons, ou a gratificação material, a satisfação de sair de casa a cada dia e enfrentar os sagrados desafios profissionais, e voltar ao lar cheio de amor para dar? Bem, antes de mais nada, que tal tentar traduzir essa palavra que traz no seu âmago um sentimento tão nobre e elevado, que transcende áreas afetivas, religiosas, sociais e econômicas. Afinal, felicidade é um estado de espírito, uma sensação de plenitude, a absoluta ausência de estímulos negativos, como ansiedade, medo, culpa, raiva, angústia, ciúme, insegurança entre outros. Tudo flui, o tempo, o espaço, a vida. A felicidade é resultante da alquimia que mescla relaxamento, desapego, satisfação, paz, serenidade, numa mistura sagrada, uma dádiva que, de tão sublime, se desfaz quando o alarme das coisas mundanas dispara uma preocupação ou um sofrimento irreal e invasivo. Então, como um despertar de um sonho maravilhoso, aquela sensação paradisíaca se desmancha e a magia nos abandona. Num mundo acelerado, de novidades que duram dias, onde o consumismo é como droga, que traz uma falsa satisfação imediata e ilusória seguida de uma ressaca e vazio que levam à crescente abstinência, banalizando a sexualidade, a tecnologia, a materialidade compensatória às frustrações e angústia que nos invade a cada dia, me pergunto se felicidade estaria em extinção ou sendo mascarada por sensações de alegrias artificiais, paixões doentias e fugazes, euforias pueris embaladas pelo álcool, droga, dinheiro mal ganho, poder passageiro ou efêmero. Vitórias ilusórias, momentos de fama fugazes. Invadidos e violados por multimeios, onde discrição e intimidade perdem o sentido, como relaxar? Como buscar a simplicidade, humildade, verdade que são pré-requisitos na busca da felicidade? Vale dizer que não depender de pessoas ou coisas externas, na busca de ser feliz, já é um bom caminho. Assim como altruísmo e empatia ajudam a partilhar a felicidade. Pois banal dizer “feliz ano novo!” Melhor, talvez, o sincero desejo para os que amamos possam ser invadidos pela sabedoria, desapego, simplicidade e, principalmente, paz de espírito!

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave