Costura bem feita na TV

Há apenas dois meses no ar, “Alto Astral”, atual folhetim das sete da Globo, passeia bem entre a comédia e o drama

iG Minas Gerais | Anna Bittencourt |

Rivais. 
Na trama, Thiago Lacerda vive o vilão Marcos, irmão do mocinho Caíque, de Sérgio Guizé
Alex Carvalho
Rivais. Na trama, Thiago Lacerda vive o vilão Marcos, irmão do mocinho Caíque, de Sérgio Guizé

A comédia é mesmo o fio condutor das novelas das sete. O horário ficou famoso por apresentar tramas divertidas desde os anos 1970, quando foi implantado, e recentemente passou por uma fase de experimentação. No entanto, com “Alto Astral” parece ter voltado à vocação do horário. É verdade que nem só de gracejos o folhetim é feito. A trama de Daniel Ortiz consegue caminhar bem entre dois pólos: o drama e o humor. Os exageros de Samantha, papel de Claudia Raia, são um bom ponto de equilíbrio para o excesso de lamentações de Laura, de Nathalia Dill. O clássico parece ter sido um respaldo na hora que o autor construiu o roteiro. Um vilão clássico, como Marcos, de Thiago Lacerda, que mostrou requintes de crueldade desde a infância, duelando com o irmão bonzinho, Caíque, interpretado por Sérgio Guizé, é ingrediente já conhecido nos folhetins.

Os personagens bem desenhados são um ponto positivo em “Alto Astral”. Caíque é o protagonista que, tentando fazer o bem, sempre erra. Laura é a mocinha sofredora que vai penar na mão de Marcos, o inescrupuloso irmão de seu príncipe encantado. Os diálogos, também bem construídos, não pecam pelo didatismo e tornam a novela gostosa de assistir. Outro acerto de Daniel Ortiz foi a entrada escalonada de personagens. Depois de dois meses da estreia, a novela parecia ter estagnado. Passou a andar em círculos e os acontecimentos se tornaram previsíveis. Edson Celulari, Simone Gutierrez, Totia Meirelles e Mônica Iozzi – ex-repórter do “CQC” que estreia nas novelas –, intérpretes de Marcelo, Patchouli, Adriana e Scarlett, deram novo gás ao folhetim.

A temática fantasmagórica também anda no limite. Sem o didatismo de tramas como “A Viagem” ou o excesso de besteirol como “Um Anjo Caiu do Céu”, os fantasmas chegam para agregar ao conteúdo da história. Por exemplo, Castilho, de Marcelo Médici, é fundamental para o papel de Sérgio Guizé. A interferência desses personagens dá um tom inovador a “Alto Astral”, que ganha certa originalidade, mesmo reunindo itens já batidos” nas novelas. O tom lúdico e etéreo daqueles que vêm do além dá charme às histórias.

Jorge Fernando também desempenha um bom trabalho no folhetim. Diretor geral e de núcleo, ele dá ritmo ao folhetim e segura para que personagens não caiam no exagero. Com tantos acertos, Daniel Ortiz já conseguiu recuperar – ainda que não nas doses desejadas – a audiência do horário das sete. Mas sem cartas na manga e novos personagens, o autor precisa ter cuidado para que o marasmo não volte a prejudicar o bom andamento de “Alto Astral”.

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