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No ar na novela “Boogie Oogie”, da Globo, a atriz Maria João ressalta múltiplos trabalhos em diversos países

iG Minas Gerais | Caroline Borges |

Dedicação. 
Para dar vida à personagem Diana, Maria João afirma que estudou  a história brasileira da década de 70
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Dedicação. Para dar vida à personagem Diana, Maria João afirma que estudou a história brasileira da década de 70

Maria João é uma cidadã do mundo. A intérprete da moderna Diana, de “Boogie Oogie”, não encara as limitações geográficas ou linguísticas como um entrave em sua carreira. Aos 39 anos, a atriz portuguesa conta com as mais variadas experiências profissionais em seu currículo. Ela já trabalhou e estudou nos Estados Unidos, na Inglaterra, na França e no Brasil. “Temos de estar em constante aprendizado. Conhecer diferentes métodos e técnicas é muito importante para dar uma visão global ao personagem”, explica.

Após 10 anos de folga do mercado brasileiro, quando interpretou Isabel no “Sítio do Picapau Amarelo”, Maria João retorna aos folhetins através do texto do moçambicano Rui Vilhena – com quem já havia trabalhado em Portugal. “Sempre tive boas experiências com o Rui e com a Globo. Ele tem uma assinatura única. Essa mistura do humor ácido, ano de 1978 e o ritmo rápido é muito gostosa”, valoriza.

E foi justamente a frenética década de 1970 que mais chamou a atenção da atriz ao receber o convite do autor para integrar o elenco da novela. Por isso mesmo, Maria logo se encantou com a ideia de representar um período totalmente fora de sua realidade. Inclusive, trabalhos de época são uma constante em sua trajetória. “Gosto da pesquisa que envolve o projeto. Através do estudo, entro em um universo que é diferente do meu. Viver um cotidiano que não tenho registro é muito enriquecedor”, explica.

Na trama das seis, Diana é uma mulher de origem portuguesa que morava em Londres, na Inglaterra, com o namorado Paulo, papel de Caco Ciocler. Após ele ser liberado do exílio na Europa, os dois voltam ao Brasil e Diana descobre o passado amoroso entre o namorado e Beatriz, de Heloísa Périssé. “É uma personagem extremamente inteligente. É uma mulher que sabe a hora de se posicionar”, aponta.

Para construir um papel de 1978, a atriz assistiu a diversos filmes e documentários brasileiros para compreender o contexto sociopolítico do país. E a história da estilista Zuzu Angel e seu filho morto durante a ditadura militar foi um dos aspectos que mais marcou sua pesquisa. “Tentei não esquecer que nesse período ainda havia resquícios de ditadura. Era um momento delicado. Conheci uma história totalmente nova”, afirma.

Na tevê desde 1992, ela reconhece que a produção brasileira é muito maior do que a portuguesa em termos de infraestrutura e investimento financeiro. Com uma indústria voltada apenas para o público interno, a televisão portuguesa dificulta o reconhecimento internacional. “Não exportamos. A Globo é uma empresa com dimensão no mundo. Então, obviamente, gera produtos e receitas muito maiores”, compara ela, que não vê diferenças artísticas entres os dois países. “As novelas portuguesas são líderes de audiência. Temos autores, diretores e atores muitos bons. Mas nossa história na teledramaturgia ainda é recente”, completa Maria João.

Perfil

Nome Completo: Maria João David da Silva Bastos

Data de nascimento: 18 de junho de 1975

Local de nascimento: Benavente, em Portugal

Signo: Gêmeos

Trabalhos que fez no Brasil

Amália, na novela “O Clone” (2002), de Glória Perez; a personagem Rita Coimbra no folhetim “Sabor da Paixão” (2003), de Ana Maria Moretzsohn; Isabel, no “Sítio do Picapau Amarelo” (2004); Diana, na novela “Boogie Oogie” (2014), de Rui Vilela, atual trama das seis da Globo.

De olho no mercado brasileiro, atriz tenta suavizar sotaque Dona de um característico sotaque lusitano, Maria João buscou suavizar sua pronúncia para viver a portuguesa Diana. Em suas cenas, a atriz mistura as expressões brasileiras com algumas de seu país de origem. “Esse é o ponto mais difícil. Estou representando uma outra forma de falar. Se eu falasse com português de Portugal, o público podia não entender”, ressalta ela, que pediu aos autores da trama que escrevessem suas falas conforme a gramática brasileira. “Eu mesma vou adaptando do meu jeito. Foi a técnica que achei mais interessante. É uma ginástica, mas não queria perder essa característica portuguesa do papel”, completa. De olho no mercado nacional, a atriz também investe em aulas particulares com uma fonoaudióloga para se aproximar da língua portuguesa falada no Brasil. Até porque Maria João não descarta a possibilidade de continuar atuando no país e interpretar personagens de origem brasileira. “Ser atriz é estar preparada para viver qualquer situação. Quero estar pronta para esse momento”, planeja.

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