Atriz diz que quem cozinha na sua casa é o marido

Lesley foi criada na cidadezinha de Irlam, em Lancashire, e confessa que decidiu começar a atuar porque não era boa em nada

iG Minas Gerais | Nancy Mills |


Sucesso em “Downton”, Lesley Nicol também tem atuado nos EUA
ITV / Divulgação
Sucesso em “Downton”, Lesley Nicol também tem atuado nos EUA

Los Angeles, EUA. A cozinha, onde as cenas dos criados da aristocrática família Crawley são rodadas em “Downton Abbey”, fica em um estúdio de som em Londres, e não no Castelo Highclere, de Hampshire. E é um ninho de intrigas. “É o núcleo dos subalternos. O cenário é ótimo porque tem muitos cantinhos de onde se pode espionar os outros e se esconder para aquelas famosas conversinhas”, afirma Lesley Nicol, que interpreta a Sra. Patmore, a cozinheira principal da família.  

Ela descreve a cozinha como uma “panela de pressão”, já que a família e os serviçais parecem estar comendo o tempo inteiro. “A rapidez é essencial. Logo no início, o nosso consultor me aconselhou a saber a que horas do dia se passavam as cenas porque isso seria crucial”. “Às vezes aparecemos sentados, com uma xícara de chá na mão, já tarde da noite, mas está todo mundo sempre ocupado”.

A Sra. Patmore parece estar ocupada o tempo todo, mas o que ela realmente faz nas cenas? “Cuida dos vários estágios de preparação. Está sempre temperando, experimentando e gritando com os ajudantes”, responde ela, sem hesitar.

A atriz se sente bem à vontade não tendo que cozinhar na frente das câmeras porque confessa não ter talento para a coisa. “Eu me viro. Não passo fome. Consigo enganar preparando um assado aqui e ali, mas quem cozinha é o meu marido”, diz.

“Quando eu estava na faculdade, no meu 21º aniversário, ganhei um livro de receitas”, conta ela, que estudou na Escola Guildhall de Música & Drama, “e dali escolhi um prato, o fricassê de frango. Toda vez que alguém vinha em casa, era o que eu preparava”.

Lesley foi criada na cidadezinha de Irlam, em Lancashire, e confessa que decidiu começar a atuar porque não era boa em nada.

“Era muito, muito tímida. Quase morria se tinha que ir a uma festa. Eu me escondia atrás do meu pai! Mas descobri que, se pudesse ser outra pessoa, recitando um poema ou fazendo uma peça, principalmente se conseguia fazer os outros rirem, eu me sentia poderosa e animada. Era a única coisa em que descobri ser melhor que os outros”.

Depois de formada, Lesley fez parte da produção original de “Jesus Cristo Superstar” (1977) no West End de Londres.

“Na Guildhall tivemos um diretor musical maravilhoso, Anthony Bowles, que era também o diretor de ‘Superstar’. Foi ele, aliás, que me falou para fazer o teste para um musical – que foi péssimo porque estava absurdamente nervosa. Estava me sentindo super mal e liguei para pedir desculpas, mas ele disse: ‘Tá, tá bom. Quer participar de ‘Jesus Christ Superstar’? Estão precisando de uma soprano’ – o que eu não sou. ‘Vai dar tudo certo’, ele garantiu."

“É bem provável que ele soubesse que, através do teste, eu não teria conseguido o papel, então resolveu me dar uma mãozinha”.

Lesley passou três anos na pele de Rosie na produção londrina de “Mamma Mia!” (2000-2002), além de investir na carreira na TV britânica. Agora quer fazer o mesmo nos EUA: já apareceu em um episódio de “No Calor de Cleveland” e deve estar em outro, de “Supernatural”, além de já ter sido vista fazendo a leitura da peça de David Hare, “Racing Demon” (1990) no L.A. Theatre Works.

“Em ‘Supernatural’ sou uma cozinheira bem diferente”, explica.

Não demora muito, porém, a atriz estará de volta a Londres para pôr o avental e começar a filmar a sexta temporada de “Downton Abbey”. “É um prazer genuíno e tenho idade suficiente para aproveitá-lo bem porque sei que não vai durar para sempre”, conclui ela.

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