A rainha da cozinha

Atriz britânica Lesley Nico conta os bastidores da série em que interpreta a sra. Patmore, a cozinheira da mansão

iG Minas Gerais | Nancy Mills |

Mudanças. Na nova temporada, a cozinheira Sra. Patmore vai lidar com as transformações sociais e políticas da Inglaterra e a evolução de sua assistente Daisy, que decide começar a estudar
Gary Moyes
Mudanças. Na nova temporada, a cozinheira Sra. Patmore vai lidar com as transformações sociais e políticas da Inglaterra e a evolução de sua assistente Daisy, que decide começar a estudar

Los Angeles, EUA. A Sra. Patmore não aprovaria a seleção de salgadinhos norte-americanos sobre a mesa de reuniões em West Hollywood: eram apenas latas de refrigerante e pacotes de Cheez-Its, M&Ms e barrinhas de cereal.  

“Nem um pãozinho?”, perguntou Lesley Nicol que há cinco anos interpreta a cozinheira voluntariosa de “Downton Abbey”.

Ela fingiu ficar chocada... e se serviu de um quadradinho de granola.

Pessoalmente, com o cabelo ruivo solto lhe emoldurando o rosto em vez de preso pela touca, a atriz britânica fica quase irreconhecível como a figura central da cozinha de Downton Abbey. O jeans, o suéter azul e o cachecol colorido não têm nada a ver com o uniforme cinza comprido e o avental branco que o público espera ver quando a série mais que popular voltar a ser exibida pelo PBS, em 4 de janeiro nos Estados Unidos.

A quarta temporada terminou no verão de 1923; na quinta, que se passa um ano depois, o Partido Trabalhista assumiu o poder pela primeira vez e a novidade é um aparelho que acabou de ser lançado chamado rádio.

“Tem muita coisa acontecendo. Há novos personagens entre os serviçais, incluindo uma criada para Maggie Smith”, ela conta.

“O mundo está passando por uma grande mudança, causando um impacto enorme nos personagens jovens e mais velhos. Os empregados estão vendo as outras casas perderem todos ou pelo menos metade da mão de obra e estão tendo que se desdobrar”.

“Daisy cria o maior caso porque quer estudar e isso vira um problemão para a Sra. P”, acrescenta, referindo-se à assistente de cozinha.

Quando “Downton Abbey” estreou, em 2010, o plano era exibir a série por três anos, mas legiões de fãs ardorosos do mundo inteiro a transformaram em um verdadeiro fenômeno televisivo, mantendo-a no ar pelo dobro desse tempo e sem previsão de terminar.

Quando ela percebeu que tinha um sucesso nas mãos?

“Já fazia umas três semanas, quase um mês desde a estreia; eu estava na Inglaterra, com meus cachorros. Todo mundo sabe que os britânicos são muito reservados, mas uma moça que eu mal conhecia cruzou o parque e veio me abraçar”.

Nos EUA, a reação foi ainda mais forte. “É uma verdadeira febre. Estou aqui há três anos e a coisa está cada vez maior”.

“Quando o pessoal ouve minha voz, me reconhece na hora. Foi assim quando eu entrei para fazer o pé no Ventura Boulevard. E no supermercado, a menina do caixa virou para mim: ‘Você é a Sra. Patmore? Minha família inteira se reúne para vê-la aos domingos’”.

“Estive na China faz pouco tempo porque trabalho com a Animals Asia Foundation, e fui reconhecida por um agricultor. Quer coisa mais bizarra que isso? Lá são 140 milhões de pessoas assistindo a ‘Downton Abbey’”.

Lesley conta que, quando o criador da série/roteirista Julian Fellowes desenvolveu sua personagem, ela não tinha nada de engraçado.

“Só depois ele começou a ver o humor entre a Sra. P e Daisy; e passou também a mostrar sua vulnerabilidade, o que fez com que as pessoas passassem a gostar dela”.

“Ela parece ser uma megera velha e mandona, mas sofre uma pressão muito grande; não há espaço para erros. Se ela grita com Daisy, não é porque está fazendo bully, mas é como se dissesse: ‘Se eu fizer com que seja mais rápida, você terá mais chances de conquistar uma carreira. Não pode se atrapalhar’”.

Para garantir que todas as decisões e atitudes estejam de acordo com a época, Lesley e o resto do elenco contam com o historiador Alastair Bruce, que é consultor do seriado. Sua especialidade é o cerimonial e os costumes reais.

“Bem no começo, quando Lady Sybil (Jessica Brown Findlay) foi à cozinha – para cozinhar um ovo, eu acho – eu disse: ‘Não sei como tratá-la, porque supostamente eu a conheço desde que era uma menininha’; e ele disse que eu teria que reconhecer o fato de que ela amadureceu e estava se preparando para ser a dona da casa. Aí está, nós, atores, não sabemos esse tipo de coisa."

Lesley também aprendeu a hierarquia entre os empregados: o mordomo e a governanta estão acima da cozinheira... contanto que ...não estejam na cozinha.

“Sou a terceira, mas na cozinha, sempre a número 1”.

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