Santa Casa pede doação até de comida a pacientes

Pedidos foram colocados em faixas na recepção

iG Minas Gerais | Jessica Almeida |

Santa Casa de Camanducaia já acumula dívida de R$ 200 mil
SANTA CASA CAMANDUCAIA/DIVULGACA
Santa Casa de Camanducaia já acumula dívida de R$ 200 mil

Funcionários da Santa Casa de Camanducaia, no Sul de Minas, optaram por um jeito diferente de mostrar à população as dificuldades financeiras enfrentadas pela instituição. Eles colocaram duas faixas com pedidos de ajuda na recepção da unidade.

Em uma das faixas estão listados os aparelhos instrumentais que precisam ser substituídos e seus valores. Na outra, são pedidas doações de dinheiro, mantimentos de todos os tipos, lençóis, cobertores, tinta para parede e até pneus e materiais para construção.

De acordo com Manuel Fernando Mosqueira Garcia, provedor do hospital, as faixas são para conscientizar a população sobre os altos gastos da unidade. Ele diz que a situação é resultado de um aumento da demanda de atendimento. Além disso, os repasses do Sistema Único de Saúde (SUS) seriam insuficientes e ainda estão sofrendo atrasos. “A população está crescendo, e a Santa Casa é o único hospital público da cidade. Além dela, só existem postos de saúde. E os repasses do SUS são inferiores ao valor dos procedimentos. Por cada cesariana, por exemplo, nos são enviados apenas R$ 450, sendo que o custo é de R$ 2.500”, diz Garcia.

Mensalmente, a Santa Casa de Camanducaia realiza cerca de 2.500 consultas e 60 cirurgias. Os gastos giram em torno de R$ 340 mil – R$ 192 mil são fruto de um convênio com a prefeitura para a manutenção do pronto-atendimento e R$ 60 mil são fornecidos pelo SUS; o resto dos recursos chega por convênios particulares e doações. A Santa Casa de Camanducaia ainda tem uma dívida no valor de R$ 200 mil.

Crise. Segundo Gustavo Henrique Macena, superintendente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas (Federassantas), a crise das Santas Casas teve início há aproximadamente cinco anos, por conta de atrasos em repasses públicos.

Um agravante foi o atraso mais recente, em dezembro, por parte do governo federal. Eles fazem com que as instituições contraiam grandes dívidas e tenham que recorrer a empréstimos. A União promete regularizar a situação.

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