Com um passo de cada vez, família reaprende a viver

Afogamento de Mariana no clube Jaraguá faz neste sábado um ano, e parentes falam sobre a perda

iG Minas Gerais | Bárbara Ferreira |

Com o lema de que é preciso seguir em frente, parentes focam em boas lembranças
DENILTON DIAS / O TEMPO
Com o lema de que é preciso seguir em frente, parentes focam em boas lembranças

Um ano se passou, o sofrimento ainda não foi embora, e a saudade é latente. A lição é uma só: a união faz a força. E é assim mesmo, como um grande clichê, que o representante comercial Marco Aurélio de Oliveira, 52, e sua família superam, dia após dia, a perda da pequena Mariana Rabelo Oliveira. Ela tinha 8 anos quando morreu afogada após ficar presa em um ralo de sucção de uma piscina do clube Jaraguá, na região da Pampulha. Neste sábado faz um ano do acidente, e neste domingo, um ano de sua morte. Mas, mesmo com a dor, a saudade traz lembranças boas. Para os familiares, a memória que ficará é de sua alegria, e, juntos, eles mudam a rotina, se reinventam e seguem. “Nós três nos unimos. A gente se propôs a fazer diferente. E é como minha outra filha postou uma vez no Facebook – é preciso se manter em pé”, resume Oliveira.

O pai diz que o que fizeram durante todo o ano foi se reinventar como família. Ele conta que é isso que os três – ele, a mulher e a filha mais velha – têm feito desde então. Para ele, a filha é uma heroína e é o que mais o motiva. “Não tem outro jeito. Não tem saída. O que eu tenho que fazer hoje é principalmente cuidar da Júlia e da cabeça dela”, comenta. Com um jeitinho de menina, mas com frases de mulher, Júlia Silva Rabelo de Oliveira, 14, é quem dá a todos uma lição de vida. O mantra dela é manter-se de pé e viver um dia de cada vez. O escape é ficar com os pais, e um novo passatempo, o mergulho. Ela vai para o mar, coloca o equipamento e é na água que reencontra a irmã e tem, de certa forma, paz novamente. “Lá no fundo não tem nada. Você não está ouvindo nada. É como se eu estivesse sonhando, e a sensação é de estar no infinito. Eu me lembro muito da Mari ali. Ela gostava muito do mar e dos animais. Toda vez que eu mergulho é como se estivesse fazendo aquilo para ela. É todo o tempo pensando nela”, conta a irmã. O dia a dia da família Oliveira nunca mais será o mesmo, e, entre as boas lembranças, a dor e a saudade, também vem a promessa. O pai conta que acompanha o processo passo a passo porque prometeu para a filha que, se houver um culpado, ele será punido. A analogia que eles fazem é que o ano que se encerrou foi como um jogo de tênis, e, a cada bolinha, um passo foi dado. Eles ainda não sabem aonde vão chegar, mas seguem. Sonho. Para a mãe, a vida passa como um sonho. Oliveira conta que a mulher ainda tem a sensação de que a qualquer momento isso tudo vai acabar. “Mas ao mesmo tempo a gente sabe que isso não vai acontecer. Às vezes não quero lembrar para não sofrer, mas também não quero parar de lembrar para não esquecer”, conta Oliveira. Para a família foi um ano de mudanças drásticas, que vão desde a venda de uma casa de campo – que antes era um sonho – até mudanças de hábitos, novos restaurantes, novos encontros e muitas viagens. “Tem um ano que tenho evitado estar nos lugares aonde sempre íamos. Tento ser forte para segurar a barra, mas tem coisas que evito. Na casa de campo, por exemplo, ela era minha companheirinha de obra. Lá ela aprendeu a andar de bicicleta e brincou muito. Perdi o gosto e a coloquei à venda”, explica. Em datas marcantes, como aniversários, Dia das Crianças e festas de fim de ano, a angústia aumenta. A saída da família Oliveira são as viagens ou mudanças de rotina. Em 2014, eles optaram por não participar da novena de Natal e viajam neste sábado, para lembrar de Mariana de outra forma. Ela era forte, casca-grossa, como definiu o pai. Assim, a malinha da família, “Malianinha”, como era chamada, aos poucos vai deixando a todos de vez. Ficam a saudade e as boas lembranças. Três dias antes do acidente, ela perguntou sobre a morte. Queria saber o que era preciso levar. A resposta era que nada seria levado, já que no céu encontraria tudo o que precisava. E que assim seja. 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave